sexta-feira, 29 de junho de 2012

QUEM FAZ A REVOLUÇÃO ?

As revoluções para avanços nascem na ação do povo

Quando o poder constituído
falha e perde a legitimidade
se faz necessário que o povo
se levante para fazer revolução

WALQUER CARNEIRO



É da natureza da sociedade humana a evolução, e diante da análise dos filósofos clássicos da antiga Grécia, a dinâmica universal das coisas, onde está inserido o ser humano, requer estética positiva, amor, harmonia, senso de moral e ética. E mais do que isso, sendo que para ser aceitável tem quer ser bom, sendo bom será belo e agradável. O contrário disso, nas coisas urdidas pela mente humana e sua interferência na natureza, causam desarmonia, gerando o feio, o rude, e o relacionamento caótico. 

De acordo com os filósofos gregos a interferência humana na natureza e no próprio proceder dos indivíduos tem quer ser procedida com inteligência, essa premissa ainda não foi refutada pela moderna filosofia. 

Além da filosofia a Grécia é o berço da democracia, e também foi lá onde nasceram todas as formas de sistema de gestão política e convivência sociais minimamente civilizadas e que são aplicadas na atualidade, e esses sistemas políticos também não estão fora da análise filosófica clássica grega cujos princípio tem que ser seguidos para que tudo tenha uma conclusão agradável, e essa sensibilidade tem que estar inerente naqueles que são designados para conduzir o sistema político aonde também está inserido o sistema cultural e econômico. 

Quando, na política, se perde essa noção filosófica do belo e bom  cria-se um desvio de comportamento de massa, e isso causa um desequilíbrio psicológico coletivo, que os gregos clássicos chamavam de variação negativa da anima, que é a força natural que interliga os seres humanos e conduz suas ações, e essa variação negativa é a chave indutora para a produção do caos, é nesse estágio que o Brasil se encontra hoje. 

Quando o governo não consegue promover mecanismos para a evolução, as massas têm que se mobilizar em ondas e forçar a evolução através da revolução. Como diz o ditado: Só quem usa sapato apertado sabe onde o calo dói. Assim um povo, uma cidade, uma nação ou uma civilização onde impera a desigualdade, miséria, violência, exploração da força de trabalho humana está totalmente contra as premissas filosóficas clássicas grega, e como estamos falando de política, ciência humana, nesta situação a tendência é a desagregação total do tecido social, e é daí que nascem as revoluções, que é a forma das massas exercer pressão para obrigar a execução das transformações, sendo que aquilo que deveria ser espontâneo e tranquilo (evolução) acaba por se tornar obrigatório e doloroso (revolução) causa feridas e deixa sequelas, todavia quando o atraso é consequência da ação de grupos humanos que se aproveitam de fraquezas de muitos indivíduos as feridas e sequelas são consequências necessárias,  porém toda a revolução é feita de forma consciente e assim os revolucionários não podem  perder de vistas os princípios da filosofia clássica grega apresentada no início do texto. 

No Brasil um grupo político representando os trabalhadores começou a governar em 2002 com o PT e partidos socialistas aliados democráticos e progressistas, desde então algumas mudanças vêm sendo efetivadas para tentar assegurar direitos necessários para as populações mais carentes, sendo que para isso é imperativo redistribuir a renda que durante séculos foi sendo concentrada nas mãos de umas poucas famílias que controlam o setor produtivo, todavia para efetuar a transferência de renda um governo tem que ter o controle do poder político, e isso o governo do PT ainda não conseguiu, pois para chegar e se manter no poder foi obrigado a fazer concessões aliando-se a grupos políticos conservadores, além disso a mobilização de movimentos populares que o PT iniciou nos anos 80 foi interrompida com a chegada de Lula no poder, essa interrupção acabou por impedir que realmente fossem feitas transformações mais profundas, pois o PT ao invés de buscar o apoio popular para fazer a revolução preferiu aliar-se ao que há de mais retrógrado na política nacional , essa estratégia está adiando a disseminação da anarquia pelo país a fora, mas diante de falta de sensibilidade para a naturalidade da condição humana, sem levar em consideração os ideais filosóficos grego, que não podem ser esquecidos porque são a base de sustentação de toda filosofia e política, não demora muito para que haja um rompimento do contrato social e seja deflagrada uma revolta que é muito pior de que uma revolução, porque esta é organizada e aquela acontece quando tudo já está fora de controle.

Nenhum comentário:

Postar um comentário