segunda-feira, 2 de julho de 2012

DOM ELISEU E O PRÍNCIPE

Analisando a atual conjuntura política à luz de Maquiavel

Diante das últimas movimentações
políticas no cenário de Dom Eliseu eu
me atrevi fazer uma leitura levando em
conta as observações de Nicolau Maquiavel

WALQUER CARNEIRO


Maquiavel conseguiu, de forma memorável, captar o comportamento do ser humano quando se trata de exercer controle e domínio sobres outros humanos para posse de uma determinada porção de terra, conhecido como domínio do espaço geográfico por interferência humana, que pode ser uma nação, um estado ou uma cidade, ou como Maquiavel denominou, levando em conta as figuras em que se inspirou para nominar seus conceitos; Principados. E assim ele elaborou um manual ao qual pôs o título de “O Príncipe”, onde ele discorre sobre as formas de se conquistar e se manter no poder em diversas situações, e também arrazoa sobre o que leva um príncipe a perder seu trono. 

No capítulo II do Príncipe Maquiavel aponta que se o líder político for uma pessoa agradável há maior possibilidade dele permanecer no comando, e o que um líder nunca deve fazer é ofender àqueles a quem ele governa. Um líder ofensor só permanece líder se seus liderados forem pessoas totalmente obtusas e não existir sequer um adversário com capacidade de desalojar o líder ofensor. 

No capítulo I Maquiavel fala da natureza do príncipe e do principado, que na forma atual vemos a figura da cidade, e como príncipe a figura do prefeito. O autor discorre sobre como o príncipe deve conduzir o principado quando já antigo ou quando ele novo ou misto. Então trataremos aqui do principado novo e misto que é o caso de Dom Eliseu. 

Levando em conta que em um principado sempre há forças antagônicas a se confrontarem Maquiavel afirma que em um principado novo o príncipe só perde seu reinado se maltratar muito as pessoas ou desagradar ao povo de alguma maneira, e Dom Eliseu é um desses casos clássicos, pois de 2005 a 2008 foi governada por um príncipe que não era de agrado do povo (Pinduquinha) que assumiu no lugar de outro que fora morto no exercício do cargo (Tonhão), sendo que mesmo em 2008 tendo um outro membro do principado de Tonhão (Silon) tentado assumir o cargo no lugar de Pinduquinha o povo não lhe deu oportunidade pois seu nome estava ligado ao daquele, e foi dada a oportunidade a um príncipe novato (Joaquim) que não tinha nenhuma ligação com este principado, sendo que este se inseriu no grupo de outro príncipe (Jefferson Deprá), tornando assim um principado misto, que de acordo com Maquiavel é muito difícil de governar, pois cria-se uma disputa entre os grupos de ambos os príncipes que acaba desagradando o povo, e foi isso que aconteceu com o atual gestor, o que fica exemplificado no capítulo III, e indo além de Maquiavel podemos dizer que Silon (o príncipe que almeja o trono) não foi suficientemente sábio e tomou uma decisão que desagradou o seu povo, indo se aliar ao seu principal adversário (Joaquim). 

O que está colocado neste parágrafo é tudo o que Maquiavel disse ao príncipe que ele devia se esforçar para não fazer, pois colocaria em risco a sua gestão dando oportunidade para que um príncipe novato (Gaston) viesse a tomar posse. 

Maquiavel escreveu o Príncipe não com idéias urdidas na sua mente, mas sim por observar o transcorrer da história e a recorrência de acontecimentos para o bem ou para o mal, que mantinham ou desalojavam príncipes, sendo que esses princípios podem ser aplicados em qualquer época por que as ações humanas são dirigidas por instinto inconsciente e coletivo hereditário 

De acordo com Maquiavel, em Dom Eliseu, na atual situação, a única manobra que não deveria ser feita seria a aliança entre dois príncipes adversários, já que em toda a manobra política deve-se levar em consideração o comportamento do povo, e nesse caso o povo se sente traído e não vai junto, o leitor pode constatar esse comportamento no capítulo III do Príncipe. 

Das duas uma. Se a aliança Joaquim/Silon ganhar a eleição Joaquim terá que subjugar a turma do Silon ou este tentará tomar-lhe o poder ( o que ele já vem tentando desde de 2009) e isso fará com que seja criada uma situação de confronto que impedirá que seja exercido o governo. Mas em Dom Eliseu o que se configura é uma insatisfação tanto do povo que estava com o Joaquim pois este, durante o seu governo, não foi agradável ao povo, quanto do povo que estava com o Silon por este ter se unido ao Joaquim. 

Desta forma criou-se um clima adequado para que um príncipe novato tenha a oportunidade de tomar posse, pois ele entro entrou na disputa do principado arrebanhando afetos dos dois outros. 

A única forma de  mudar o desenrolar dos acontecimentos é a interferência do Maquiavel denomina de Virtú e Fortuna. Vitú é a capacidade do governante de manipular os acontecimentos de acordo com seus interesses mas para o bem coletivo , e a fortuna é o acaso natural que atua em todas as ações humanas. 

Para ler O Príncipe clique AQUI.    

5 comentários:

  1. Walquer, parabéns pela bela análise que fizeste de "O Principe", relacionando esta obra fantástica de Maquiavel com a conjuntura política do nosso município.

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  2. Wanderson Pinheiro4 de julho de 2012 21:48

    Muito bom mesmo Sr. Walquer!

    Estou a ler esta obra influenciado pela sua análise.

    Parabéns!

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  3. www.ronieleite.com6 de julho de 2012 14:04

    Parabéns Walquer, Ótima A Ilustração

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  4. O REAL E A FANTASIA NA POLÍTICA

    Toda a ação humana. de grupo, individual ou coletiva tem a sua porção real e sua porção de fantasia. Ao indivíduo que lidera é dada a responsabilidade de administrar pesando as consequências para o bem ou para o mal, sabendo usar de forma equilibrada a fantasia e a realidade. Na política essas premissas são prioridades fundamentais.

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  5. Maquiável trata de liderança. Mando e comando.

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