domingo, 30 de janeiro de 2011

ÉBRIOS

Os Esquecidos da Sociedade                                      

Quando seres humanos
chegam ao fundo da sua
mais vil condição eles se tornam
como se invisíveis fossem

 WALQUER CARNEIRO

O homem, na verdade um trapo humano, estava sentado no meio fio da praça,  e ao seu redor diversos trapos humanos, homens e mulheres perdidos em loucuras etílicas, ausentes de tudo.  Frascos de aguardente, restos dos restos  de comida juntada aqui e acolá. Todos juntos misturados  num bando bem aparente, ignorados devidamente por transeuntes circulantes, todavia,  ausentes da condição de desespero e loucura controlada por uma força misteriosa naqueles seres cambaleantes.

Eles confabulam  em um dialeto que só eles entendem . Ali eles dormem, urinam, defecam, se amam, se odeiam  e se matam ou vão morrendo aos poucos no sol,  na chuva.

Seus rostos são apáticos, seus sorrisos zombarias, quando choram refletem a insanidade de uma vida suportada em nada. Quando estão sérios são como  mortos,  dormindo eles não existem  e quando estão sóbrios são como zumbis a procura de mais uma porção do líquido cáustico no recipiente transparente que inebria o pensamento.




O homem sentado no meio fio da praça, num lapso de lucidez não consegue entender tamanha escravidão e o porquê daquela cerca invisível que evita  que ele usufrua da liberdade das pessoas  que ao redor passam como aparição diante de seus olhos que já não consegue se fixar longamente em nada a não ser na garrafa fazia que jaz à sua frente, então num fiapo de consciência ele delira e vê dentro  da embalagem  a ânsia do seu desejo insaciável,  e ávido ele agarra  o vidro e leva o gargalo aos beiços brancos e inchados sugando com sofreguidão como se dali saísse a fonte de sua vida, e numa irritação preguiçosa ele percebe que ali dentro apenas o ar reside, e ele detesta o ar, pois sonha com  um tempo em que tudo ao redor seja álcool, e na sua insanidade ele percebe que não dá, então com o pouco de forças que lhe resta, como vingança,  ele atira a garrafa que explode no pavimento da rua espalhando cacos por todos os lados e com um sorriso podre ele parece comemorar  vitória por destruir a causa de sua frustração, por não poder receber na sua garganta ressequida o licor tão desejado.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

MPB


Eu quero é botar meu bloco na rua

Num tempo que era
proibido contestar
Sérgio Sampaio ousou fazer sucesso
com uma musica libertaria

Hoje a Música Popular Brasileira  está cada dia mais vulgar.  A depravação toma conta das idéias que acompanham as canções que entopem nosso cérebro com o que há de mais vil em relação aos pensamentos massificados por cantores que se vendem aos caprichos das TVs, rádios e gravadoras.  

Um dos artistas mais sinceros e honestos da MPB moderna é Sérgio Sampaio, que entre 1973 a 1982 marcou território com sua mensagem direta a inteligente. Sérgio Sampaio, além de ser um ótimo canto, r é também um criador com inspiração fora do comum.

Desde o inicio de sua carreira como cantor Sérgio foi enquadrado no grupo dos artistas malditos pelo fato de peitar os executivos das gravadoras e ter uma posição anti convencional, conseguiu se impor   paticipando de todos os principais festivais de musica brasileira entre o fim da década de 60 até o meio da década de 70, até que em 1971 ele conseguiu emplacar o seu primeiro grande sucesso, “Eu quero é botar o meu bloco na rua”, no IV Festival Internacional da Canção” e em 1972 lançar seu primeiro disco produzido por Raul Seixas.

Desde 1994 Sérgio Sampaio não existe mais, e para que você possa conhecer, ou matar a saudade se já conhece clique aqui.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

LEMBRANDO INFÂNCIA

No ápice da vida, lembranças boas de menino

WALQUER CARNEIRO

De quando em quando, em mim já mais velho, (logo após os quarenta) surge sempre  lembranças do alvorecer da minha vida. Esse tempo que todos nós temos grudados na memória, e que entre a adolescência e a juventude não costumamos lembrar, mas que na verdade fica guardado a espera do momento adequado para voltar à tona. Essa lembrança surge, agora, não com tristeza ou desapontamento, mas sim com certa melancolia que no fundo regozija a alma. Foi então que fiz este poema. 


QUANDO ACORDA O MENINO

De manhã
Despertou,
Viu o ouro do sol
Banhando o beiral.
Céu azul,
Primavera,
Vento sul,
Ruas velhas.
Borboletas coloridas
Atravessam seu quintal.
Num canto qualquer da Vida
Tem um segredo escondido,
Segredos do seu coração
Nunca foram proibidos.

Sentimento
Evidente,
Tímido sorriso
No dia que começa.
Brilho no olhar
Dorso nu,
Pés descalços
Tocando firmes
Folhas secas no chão.
Mistério de passarinho
Que alimenta o filhote
E no galho faz o seu ninho
Bem longe da curiosidade
Atenta e fugaz do menino.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

METAFÍSICA

Da Morte e a Efemeridade da Vida


A vida se esvai no passo lento do tempo
e mesmo não querendo ela
contradiz a vontade e a
extinção chega implacavelmente

WALQUER CARNEIRO

Nos últimos dias, em minhas pesquisas e leituras diárias, tenho me deparado constantemente com um tema que a maioria dos mortais resistem muito em abordar, e que quase nunca faz parte das conversas e bate papos entre as pessoas. A ausência de vida em relação ao ser humano. A morte.
Então eu resolvi abordar esse tema em conversas com amigos e também com desconhecidos, e a reação foi sempre a mesma, todos se desviavam do teor da conversa após concluírem a primeira frase, e quando eu teimava em voltar ao assunto as pessoas se manifestavam apenas com monossílabos, por isso resolvi escrever esse artigo.

Devo deixar registrado aqui que eu tenho uma relação muito cordial com a eminência da morte física, e como acredito em Deus procuro levar a minha efêmera existência de acordo com o que Ele quer, para que eu possa prolongar ao máximo minha vida física neste planeta, percebendo que Seus planos fogem ao meu entendimento, mas, como todo ser humano, procuro compreender essa relação da dualidade humana, vida e morte, espírito e matéria.

A morte é uma condição, porém ao contrário de sentimentos como alegria, paixão, amor, saudade, tristeza, solidão, não há explicação psicológica para tal condição,tão pouco a ciência tem uma resposta definitiva sobre a morte, apenas a religião se atreve a dar um sentido para a finitude da existência.

Na verdade o tema “morte” é muito doloroso quando não temos um embasamento filosófico ou religioso/espiritual para suportar a idéia da cessação da vida, já que no íntimo de todos os seres humanos existe a vontade inerente de viver sem, no entanto, precisar morrer. É muito difícil de aceitar a condição de mortal, pois como seres criados por Deus, que é infinito, temos a consciência dessa infinitude, e o fato de não usufruir desta eternidade causa em nós uma frustração, pois a morte também nos traz o temor de sermos esquecidos, e que mesmo as vicissitudes não mais nos afetará.
De acordo com o livro de Eclesiastes os mortos não sabem coisa alguma, e a esses não haverá nenhuma recompensa, sua memória jaz no esquecimento, e a recordação deles foi esquecida, para sempre os que morreram não terão parte mais em nada, disse o escritor de Eclesiastes, inspirado por Deus. (Eclesiastes 9:4, 5,6).

No meu caso a primeira vez que me deparei com a morte foi quando eu tinha 11 anos, na ocasião, andando pela rua, eu avistei uma mulher chorando e se lamentando acompanhada com quatro crianças que caminhavam na mesma direção que eu, sendo que resolvi segui-la, e logo adiante eu me deparei com uma multidão que se aglomerava em volta de alguma coisa. A mulher desesperada abriu espaço por entre as pessoas e eu fui junto para ver o que estava acontecendo. Foi quando olhei para baixo vi um corpo de barriga para cima, no rosto uma expressão paralisada de dor e medo, com as duas mãos, como que segurando o ar com esforço, levemente levantadas em relação ao corpo e uma grande faca, a qual eu só vi o cabo branco, enfiada no lado esquerdo do peito do homem. Até então eu nunca havia visto uma pessoa morta, mas no mesmo instante eu entendi a situação, e lembro-me, como se fosse hoje, foi como se me faltasse o chão, e eu ali olhando para aquela cena. Só sai do torpor quando a mulher aos gritos se atirou sobre o cadáver clamando.

A morte vista desta forma me fez entender, mesmo que inconscientemente, que a cessação da vida transforma o ser em nada. Pois tudo a volta daquele cadáver parecia fluir e transbordar energia dinâmica, e nela havia apenas prostração estática com uma passividade apavorante diante da mulher que chamava pela vida do defunto.

A morte física faz com que cesse também a consciência e isso é o que mais incomoda ao pensarmos na dita cuja, porém o corpo humano, como toda a matéria, é composto por elementos que são constantes em tudo que existe em qualquer lugar do universo, como o carbono, hidrogênio, oxigênio, minerais como o ferro, zinco entre outros. Não há diferença da nossa composição química humana em relação com a composição do planeta terra, o sol, a lua ou com qualquer outro corpo sólido, gasoso ou liquido que exista no universo. Tudo que existe é formado por átomos, que é energia pura e não se dissolve, apenas se transforma.

Ainda em Eclesiastes ( 12: 7 ) fica claro como os antigos compreendiam essa relação dos elementos da natureza com o ser humano, a morte e a divindade de Deus como aquele que contém todas as coisas. O escritor de Eclesiastes fala de forma simples que a matéria volta a terra de onde foi tirada, e o espírito, que é a força da vida, volta para Deus que o deu. Como há vida no núcleo do átomo, que é pura energia, e essa força vem de Deus, podemos então dizer que após a morte viveremos em Deus que é a consciência universal.

O que eu quero dizer, em termos físicos e diante do raciocínio meramente humano, é que os elementos que compõe a matéria não perecem, e a eternidade e infinitude humana desejada acontece através da fecundação na união dos dois gêneros humanos, enquanto matéria, na perpetuação da vida humana enquanto espécie coletiva, e não individual. Portando, mesmo cessando a vida consciente continuaremos, como matéria e energia, a existir como elementos básicos, pois Deus, que se basta a Si mesmo, na sua infinita bondade permitiu que nós compartilhássemos conscientemente com ele por um pouco de momento, e que mediante a fé esperamos renascer.

Eclesiastes finaliza com a seguinte orientação, Teme a Deus, e segue teus mandamentos, pois Ele irá julgar a todos pelos seus atos ( Eclesiastes 12: 13, 14 ), porém digo a todos que lêem este artigo, a leitura da Bíblia é muito proveitosa para nos direcionar no raciocínio correto para encararmos a morte com mais naturalidade, pois na Bíblia você encontra a essência de Deus e registros históricos que orienta quanto a questão da finitude de nossa existência enquanto individuo, e confortando quanto a efemeridade da vida terrena com promessas de vida eterna para os que crerem, e para mim isso serve de consolo.