terça-feira, 25 de janeiro de 2011

METAFÍSICA

Da Morte e a Efemeridade da Vida


A vida se esvai no passo lento do tempo
e mesmo não querendo ela
contradiz a vontade e a
extinção chega implacavelmente

WALQUER CARNEIRO

Nos últimos dias, em minhas pesquisas e leituras diárias, tenho me deparado constantemente com um tema que a maioria dos mortais resistem muito em abordar, e que quase nunca faz parte das conversas e bate papos entre as pessoas. A ausência de vida em relação ao ser humano. A morte.
Então eu resolvi abordar esse tema em conversas com amigos e também com desconhecidos, e a reação foi sempre a mesma, todos se desviavam do teor da conversa após concluírem a primeira frase, e quando eu teimava em voltar ao assunto as pessoas se manifestavam apenas com monossílabos, por isso resolvi escrever esse artigo.

Devo deixar registrado aqui que eu tenho uma relação muito cordial com a eminência da morte física, e como acredito em Deus procuro levar a minha efêmera existência de acordo com o que Ele quer, para que eu possa prolongar ao máximo minha vida física neste planeta, percebendo que Seus planos fogem ao meu entendimento, mas, como todo ser humano, procuro compreender essa relação da dualidade humana, vida e morte, espírito e matéria.

A morte é uma condição, porém ao contrário de sentimentos como alegria, paixão, amor, saudade, tristeza, solidão, não há explicação psicológica para tal condição,tão pouco a ciência tem uma resposta definitiva sobre a morte, apenas a religião se atreve a dar um sentido para a finitude da existência.

Na verdade o tema “morte” é muito doloroso quando não temos um embasamento filosófico ou religioso/espiritual para suportar a idéia da cessação da vida, já que no íntimo de todos os seres humanos existe a vontade inerente de viver sem, no entanto, precisar morrer. É muito difícil de aceitar a condição de mortal, pois como seres criados por Deus, que é infinito, temos a consciência dessa infinitude, e o fato de não usufruir desta eternidade causa em nós uma frustração, pois a morte também nos traz o temor de sermos esquecidos, e que mesmo as vicissitudes não mais nos afetará.
De acordo com o livro de Eclesiastes os mortos não sabem coisa alguma, e a esses não haverá nenhuma recompensa, sua memória jaz no esquecimento, e a recordação deles foi esquecida, para sempre os que morreram não terão parte mais em nada, disse o escritor de Eclesiastes, inspirado por Deus. (Eclesiastes 9:4, 5,6).

No meu caso a primeira vez que me deparei com a morte foi quando eu tinha 11 anos, na ocasião, andando pela rua, eu avistei uma mulher chorando e se lamentando acompanhada com quatro crianças que caminhavam na mesma direção que eu, sendo que resolvi segui-la, e logo adiante eu me deparei com uma multidão que se aglomerava em volta de alguma coisa. A mulher desesperada abriu espaço por entre as pessoas e eu fui junto para ver o que estava acontecendo. Foi quando olhei para baixo vi um corpo de barriga para cima, no rosto uma expressão paralisada de dor e medo, com as duas mãos, como que segurando o ar com esforço, levemente levantadas em relação ao corpo e uma grande faca, a qual eu só vi o cabo branco, enfiada no lado esquerdo do peito do homem. Até então eu nunca havia visto uma pessoa morta, mas no mesmo instante eu entendi a situação, e lembro-me, como se fosse hoje, foi como se me faltasse o chão, e eu ali olhando para aquela cena. Só sai do torpor quando a mulher aos gritos se atirou sobre o cadáver clamando.

A morte vista desta forma me fez entender, mesmo que inconscientemente, que a cessação da vida transforma o ser em nada. Pois tudo a volta daquele cadáver parecia fluir e transbordar energia dinâmica, e nela havia apenas prostração estática com uma passividade apavorante diante da mulher que chamava pela vida do defunto.

A morte física faz com que cesse também a consciência e isso é o que mais incomoda ao pensarmos na dita cuja, porém o corpo humano, como toda a matéria, é composto por elementos que são constantes em tudo que existe em qualquer lugar do universo, como o carbono, hidrogênio, oxigênio, minerais como o ferro, zinco entre outros. Não há diferença da nossa composição química humana em relação com a composição do planeta terra, o sol, a lua ou com qualquer outro corpo sólido, gasoso ou liquido que exista no universo. Tudo que existe é formado por átomos, que é energia pura e não se dissolve, apenas se transforma.

Ainda em Eclesiastes ( 12: 7 ) fica claro como os antigos compreendiam essa relação dos elementos da natureza com o ser humano, a morte e a divindade de Deus como aquele que contém todas as coisas. O escritor de Eclesiastes fala de forma simples que a matéria volta a terra de onde foi tirada, e o espírito, que é a força da vida, volta para Deus que o deu. Como há vida no núcleo do átomo, que é pura energia, e essa força vem de Deus, podemos então dizer que após a morte viveremos em Deus que é a consciência universal.

O que eu quero dizer, em termos físicos e diante do raciocínio meramente humano, é que os elementos que compõe a matéria não perecem, e a eternidade e infinitude humana desejada acontece através da fecundação na união dos dois gêneros humanos, enquanto matéria, na perpetuação da vida humana enquanto espécie coletiva, e não individual. Portando, mesmo cessando a vida consciente continuaremos, como matéria e energia, a existir como elementos básicos, pois Deus, que se basta a Si mesmo, na sua infinita bondade permitiu que nós compartilhássemos conscientemente com ele por um pouco de momento, e que mediante a fé esperamos renascer.

Eclesiastes finaliza com a seguinte orientação, Teme a Deus, e segue teus mandamentos, pois Ele irá julgar a todos pelos seus atos ( Eclesiastes 12: 13, 14 ), porém digo a todos que lêem este artigo, a leitura da Bíblia é muito proveitosa para nos direcionar no raciocínio correto para encararmos a morte com mais naturalidade, pois na Bíblia você encontra a essência de Deus e registros históricos que orienta quanto a questão da finitude de nossa existência enquanto individuo, e confortando quanto a efemeridade da vida terrena com promessas de vida eterna para os que crerem, e para mim isso serve de consolo.


Um comentário:

  1. Viver em Deus é um monismo. Eu creio que quando morremos nosso espírito se mantém íntegro só o soma que vai pra terra. A consciência é Deus.

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