sábado, 4 de fevereiro de 2012

AS ‘VIÚVAS NEGRAS’ DE ISRAEL

Em Israel  viúvas por mais de duas vezes são discriminadas

O ponto de vista prevalente, pela
tradição religiosa israelense, é de
que uma mulher é presumivelmente
“fatal” após a morte de dois maridos

FONTE – OPINIÃO E NOTÍCIA


Yaron Harel foi morto no dia 17 de janeiro de 2012, em um acidente de motocicleta. Yaron, 35, um policial de Nitzan, perto de Ashdod, era o segundo marido de Liat Harel, que perdeu o primeiro marido em um acidente de carro há 11 anos. Poucas pessoas sabem que a angustia de Liat não vai acabar com o luto do seu segundo marido.

A história de Liat Harel é na verdade uma tragédia dupla, se não tripla. Ela perdeu Amit, seu primeiro marido, quando tinha apenas 19 anos. Depois, ela se apaixonou por Yaron Harel, e os dois se casaram, como as palavras da tradicional cerimônia dizem, de acordo com a religião de Moisés e Israel.
 
No futuro, se Liat Harel decidir se casar novamente, após a devastadora perda de dois maridos, ela será punida por sua história pela mesma religião de Moisés e Israel. De acordo com a lei judaica, Liat é uma “mulher fatal” (isha katlanit), um tipo de “viúva negra”. Casar com ela é considerado por fontes antigas ser potencialmente fatal. Isso porque uma mulher que foi viúva duas vezes é suspeita de ter matado seus maridos, se não ativamente, por ter trazido maldição ou má sorte a eles. E já que a maldição poderia ameaçar qualquer futuro marido, uma mulher nessa posição é proibida de casar pela terceira vez.

Fontes talmúdicas (um dos livros sagrado dos judeus) discordam sobre se uma mulher tem que ter perdido dois ou três maridos para ser considerada uma “mulher fatal”. O tratado Yevamot, 64 B, do Talmude babilônico, é dedicado a esse debate. A visão prevalente, aceita pelo rabino Yehudah Hanasi, é a de que uma mulher é presumida como “fatal” após a morte de dois maridos. Note que se um homem perde duas mulheres, a lei judaica não o declara um “marido fatal”. Tampouco sua integridade ou sua sorte são questionadas, nem seu direito a casar novamente é objeto de debate.

A ouvidos modernos, as explicações haláquicas (oriundas dos dogmas judaicos) para essa desigualdade podem soar misteriosas, e apenas ilustrar a lacuna entre atitudes antigas e modernas em relação a homem e mulher. Um argumento haláquico para essa diferença é o fato de que o homem é o trabalhador e sua perda necessariamente cria um problema econômico, diferente de uma mulher, que não é obrigada a trabalhar, então perdê-la tem poucas consequências materiais.

Pode soar surpreendente que essa antiga lei judaica, que também aparece no Shulhan Arukh, o código padrão da lei judaica, está ainda em vigor hoje no moderno Israel, mas leis mais estranhas estão vigorando nas cortes religiosas de Israel, que exercem completo controle sobre a vida familiar.

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