A CORRUPÇÃO, COMO ACABAR COM ELA?

Em ações cotidianas é que a corrupção viceja 

Não podemos considerar o Brasil
um país sério enquanto o índice de
corrupção estiver colaborando para o
implemento da miséria física e moral

WALQUER CARNEIRO




A Corrupção é um fenômeno que se espalha por todos os lugares onde haja ajuntamento humano e sociedades organizadas. O sentido semântico de corrupção nos dá uma clara noção do significado desta palavra que tem sua raiz no latim que significa desintegração da matéria, e que hoje foi ampliada e adaptada para a desintegração da moral e da ética. 

Quando pensamos em corrupção o que visualizamos primeiro é a prática corruptiva a partir do ente estatal, governos ou serviços públicos, raras as vezes avaliamos ou observamos a corrupção a partir do individuo autônomo. 

Todavia a corrupção só é possível de se praticar em via dupla, com a participação do corruptor e do corrompido. 

Como a própria raiz da palavra define, quando há a prática da corrupção é porque está em curso a deterioração das convenções que rege a mínima atenção ao respeito àquilo que é regimentado como certo e de acordo com a ética. 

Na prática da corrupção sempre se misturam o ente estatal, empresa privada e o individuo comum, seja ele autônomo, representante do estado ou de uma empresa privada. A ação corruptiva pode ser praticada tanto do ente estatal para o ante privado ou indivíduo como também ao contrário. Isso quer dizer que a corrupção é uma via de mão dupla. 

No Brasil a corrupção se alastrou de tal forma que praticamente impossível efetuar qualquer transação sem ser obrigado a se corromper de uma forma ou de outra. A pratica da corrupção se tornou uma atitude natural, mesmo que 90% da população a repudie e dizem não fazer uso, quando observamos mais de perto vemos que o simples ato de oferecer uma chupeta (pipo) para uma criança parar de chorar é um ato de corrupção. 

Um caso típico de corrupção em Dom Eliseu onde o corruptor é o cidadão comum é na questão de abastecimento de água por caminhões pipa. Hoje existe um bom número de domicílios e de propriedade rural no município que são abastecidos por caminhão pipa, todavia há muita reclamação de pessoas que, para solicitar a água, se inscrevem em uma lista, e muitas vezes pessoas que sequer tem seu nome na lista recebem a água e aquela não. Diante desta constatação foi feita uma observação e constatou-se que a prioridade é dada para aquele que “molha a mão” do condutor do pipa. 

A corrupção sempre é praticada com a intenção de se obter uma vantagem, mas por outro lado sempre provoca uma situação perigosa, vamos analisar a questão da emissão da carteira de motorista, por exemplo. Se fosse para seguir todas as regras e critérios para a expedição de uma carteira de habilitação certamente apenas uma pequena porcentagem dos requisitantes obteria a autorização para conduzir veículos, pois as regras dos testes para conduzir veículos são muito severas, e então grande parte dos que se inscrevem para adquirir uma carteira de habilitação recorrem ao ato de corromper o instrutor e o avaliador, e estes que se resignam a receber a propina. Assim as consequências deste ato é uma quantidade considerável de condutores de veículos automotores sem a mínima condição de conduzi-los, e o que causa um aumento nas estatísticas de acidente de trânsito com inevitáveis mortes. 

A corrupção generalizada, como a que é praticada no Brasil contribui para a uma sistema educacional deficiente, sistema de saúde precário e para a miséria sistêmica que leva milhões de pessoas à morte todos os dias. Um país de pessoas corruptas prejudica tanto a população quanto um país em guerra. 

Esses relatos acima são apenas para comprovar que a corrupção não está apenas no alto escalão, mas sim também nos pequenos atos do cidadão no dia a dia comum. 
Aproveitando o tema desta postagem aproveito para falar sobre a abordagem feita pela Professora Rosa Cruz sobre a corrupção em um comentaria dela sobre a postagem A Prefeitura e os Vales Transporte, onde ela de modo bem peculiar faz uma análise do ato da corrupção. Clique AQUI para ler o comentário da Professora Rosa Cruz.

CELPA É VENDIDA POR R$- 1 REAL

Quebra da concessionária é o resultado da privatização 

Pela falta de uma gerência local, 
a situação se complicou, 
não havia preocupação 
com o povo do Pará. 

FONTE – DIÁRIO DO PARÁ 

Vendida pelo valor simbólico de R$1 e envolvida em um trabalhoso processo de recuperação judicial, desde a última quinta-feira a Celpa (Centrais Elétricas do Pará S.A) é comandada pela empresa Equatorial Energia, detentora de 61,37% do capital social da concessionária de energia. Com um faturamento mensal de R$270 milhões e uma dívida de 2,7 bilhões, a empresa terá grandes desafios para garantir o abastecimento de mais de 1,8 milhão de unidades consumidoras atendidas em todo o Estado. 

Apesar dos desafios, para o advogado Mauro Santos, nomeado administrador judicial da recuperação da Celpa desde o dia 2 de março deste ano, a parte mais difícil do processo que impediu que a concessionária decretasse falência já passou. “O processo de compra está formalizado, o que falta agora são questões meramente burocráticas. O mais difícil já passou. Já negociamos com o Governo do Estado a questão referente ao ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços], que era um problema sério, mas que já está equacionado. O Cade [Conselho Administrativo de Direito Econômico] e a Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica] aprovaram o plano de transição onde se mitigaram, inclusive, algumas normas regulatórias”, avalia. 

A empresa que atualmente mantém 1.800 funcionários e aproximadamente dois mil terceirizados em atividade foi a primeira concessionária submetida ao regime de recuperação judicial no Brasil. “Isto é um marco importante, porque foi um processo muito difícil. Essa é a maior recuperação judicial, hoje, em trâmite, no Brasil e de uma área que nós ainda não temos nenhuma tradição no direito paraense”, afirma. 

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MAIS UMA VEZ A ELITE TENTA O GOLPE

O sistema não aceita trabalhadores no poder

A burguesia está desesperada
porque não há a mínima possibilidade
do retorno dela ao poder e
por isso querem tomar à força

WALQUER CARNEIRO




O Brasil é um dos poucos países do planeta onde a luta pelo poder político é visivelmente ideológico. Em muitos países o embate que objetiva conquista do poder também engloba questões religiosas, culturais e geográficas, o que muitas vezes gera o conflito bélico, o que não acontece no Brasil. 

Desde a formação da primeira civilização organizada no planeta a força de trabalho vem sendo explorada por grupos que se acham no direito de submeter pessoas às suas vontades. Não se sabe ao certo porque uma maioria considerável de indivíduos vem se deixando dominar por minorias, mas em certo momento da história humana neste planeta esse domínio começou a ser questionado, tanto que em 1844 Carl Marx começa a teorizar sobre a questão do capitalismo que leva a exploração da força física dos trabalhadores para o acumulo de riqueza nas mãos de poucos. 

Apesar de ser uma nação ainda em fase de organização, em relação aos países europeus, asiáticos e norte africanos, o Brasil já tem plenamente resolvidos as suas pendengas geográficas, religiosas e culturais, o que concede uma relativa paz à nação, apesar de miséria que ainda grassa pelo país à fora. Mas na disputa política o que prevalece na contenda em busca da conquista por espaço no comando do país é o debate ideológico a nível nacional que é polarizada entre os que defendem os interesses dos ricos e os que defendem os direitos dos trabalhadores, mas que se dilui-se quando a disputa se localiza em âmbito regional, a exemplo das recentes eleições municipais, onde a disputa é mais personalizada. Esse perfil nitidamente ideológico na contenda pelo poder está fazendo do Brasil o berço de nova forma, em gestação, de sistema social e de governo que dá preferência às classes menos favorecidas, todavia esse novo sistema não agrada às elites do Brasil.


Hoje vemos que a disputa política está acontecendo num confronto entre pobres e ricos, e chegamos e esse ponto de forma natural, mas não tranquila, apesar de uma ditadura de 27 anos a nação conseguiu fazer evoluir a cultura nacional, fato que permitiu a rápida recondução a redemocratização. Na verdade a grande resistência à ditadura militar se deu na área da cultura, o que de certa forma abriu as portas para a luta de classe no Brasil após o fim da ditadura militar. 

Nos últimos 20 anos os trabalhadores brasileiros, representados pelos partidos que compõem as Forças Progressistas, Democráticas e Socialistas, tendo, hoje, a sua representação mais visível no Partido dos Trabalhadores, vêm apresentando um crescente nível de crescimento na representação em todas as esferas de poder nacional, e esse fato incomoda a classe rica, uma elite que representa apenas 20% da população, cuja maior parte usufruiu das riquezas da nação desde o tempo da colonização, enquanto o restante da população usufrui apenas da miséria, pois 40% dos brasileiros ainda hoje vivem na pobreza. 

A chegada de Lula à presidência da república foi um trabalho de construção e conquista do sistema social brasileiro, sendo a primeira vitória da classe trabalhadora alcançada pelos partidos das Forças Progressistas, Democráticas e Socialistas numa luta que durou mais de oitenta anos. O mais surpreendente é que essa vitória foi conquistada pelos trabalhadores apesar das forças progressistas não contar com recursos financeiros suficiente para fazer frente ao poder econômico que a elite brasileira detém. 

Os barões que governaram o Brasil por mais de 500 anos não aguentaram ficar 10 anos fora do poder, e, assombrosamente, não estão conseguindo mais retomar os espaços que eles vêm perdendo eleição após eleição com o jogo jogado conforme as regras criadas por aqueles que desde sempre se sentiram donos do Brasil, e assim a elite brasileira se reuniu para tentar desestabilizar o governo do PT e seus aliados, na verdade a elite todas as vezes que perdeu o poder só conseguiu retornar por meio de um golpe, a exemplo de 64 quando os barões conseguiram convencer os militares que o Brasil estava caminhando para uma ditadura comunista. Só que agora os militares dão claros sinais que eles não mais irão interferir no andamento da disputa política no Brasil e por isso o golpe está sendo tentado através do judiciário. 

Para um indivíduo mais atento é fácil perceber essa tentativa de golpe através do judiciário, pois exemplos de testes neste sentido já aconteceu em Honduras em 2010 e mais recentemente no Paraguai, onde presidentes da repúblicas foram cassados sem nenhum motivo e arrancados do poder sem ter o direito mínimo a ampla defesa. E é isso que está acontecendo, hoje, no Brasil, a elite está usando o seu único reduto de poder, o judiciário, para tentar arrancar as Forças Progressistas, Democráticas e Socialistas do poder, por que através do voto livre e democrático essa elite não consiga mais retomar os espaços que vem perdendo eleição após eleição.


VEREADORES APROVAM REQUERIMENTO DE DANIEL

Vereadores querem esclarecimentos sobre vales transporte 

Requerimento do vereador Daniel Andrade que pede 
esclarecimentos sobre compra de vale transporte foi 
aprovado na câmara junto com projeto do dia 
do círio de autoria do vereador Jefferson Deprá

WALQUER CARNEIRO



Na reunião de vereadores do dia 30 de outubro de 2012 o presidente da Câmara Municipal de Vereadores, Givanildo Alves “Buduia”, pôs em pauta duas matérias para deliberação do plenário composto por seis vereadores. 

A primeira matéria foi o projeto de autoria do vereador Jefferson Deprá que oficializa o feriado municipal do círio de Dom Eliseu, e a segunda matéria foi o requerimento de autoria do vereador Daniel Andrade que solicita da prefeitura informações sobre a aquisição de vale transportes. 

Conforme o requerimento a prefeitura municipal de Dom Eliseu adquiriu mais de 90 mil vales transportes num período de onze meses. O requerimento foi lido em plenário ma presença de apenas seis vereadores; Jefferson Deprá, Claudia Machevesk, Zé Pedro Genilsin Cavalcanti, Daniel Andrade e Buduia. 

O requerimento foi feito com o propósito de esclarecer por que a prefeitura comprou tamanha quantidade de vale transporte que em sua maioria foi utilizado para a zona rural. 

A vereadora Claudia disse que a iniciativa do vereador Daniel é apenas o cumprimento da lei orgânica da casa de leis que, entre outras prerrogativas, define o vereador como um fiscal do patrimônio público. “Eu estou de acordo com a iniciativa do vereador e concordo que o executivo municipal tem que prestar esclarecimentos”, disse ela. 

O requerimento foi votado e aprovado pelos vereadores presentes em apoio a ação fiscalizadora de Daniel em questionar sobre a negociação dos vales transportes que também recebeu o apoio do vereador Zé Pedro. “Quem tem que dar explicações sobre o assunto é o secretário municipal de educação, pois os vales transportes foram utilizados para transportar professores”, argumentou ele. 

O vereador Buduia, usando da prerrogativa de presidente da mesa diretora, informou que já no dia 31, quarta-feira a secretária executiva da câmara já estaria tomando providências para protocolar o requerimento do vereador Daniel Andrade na chefia de gabinete do prefeito Joaquim Nogueira. “Na quarta-feira o prefeito já estará ciente dos questionamentos do vereador Daniel, e então esperamos que o mais urgente possível sejam enviadas a está casa todas as informações solicitadas”, considerou o presidente. 

Mais detalhes sobre a questão dos vales transportes clique AQUI.

FERIADO DO CÍRIO DE DOM ELISEU 

A outra matéria discutida, votada e aprovada na reunião do dia 30 foi o projeto de autoria do vereador Jefferson Deprá que define o dia de comemoração do Círio de Nossa Senhora Aparecida. O projeto também determina que a data também seja considerada feriado municipal. 

De acordo com o vereador o projeto foi elaborado a pedido do Padre Ronaldo Santos que atendeu a uma solicitação do bispo da diocese. “Com a aprovação desta lei fica constituído como dia do Círio de Dom Eliseu o terceiro domingo do mês de outubro”, informou a vereador lembrando que a definição da data também levou em conta um anseio da comunidade católica de Dom Eliseu. “O círio é uma festa que vem crescendo muito em Dom Eliseu, e então e a comunidade católica merece a data”, disse o vereador. 

O projeto foi votado e aprovado por todos os vereadores e enviado ao gabinete do prefeito para a sanção governamental.

DOM ELISEU DIZ NÃO A EMPREENDIMENTO MINERAL

Município perde grande oportunidade de industrialização 

O estado do Pará está prestes a se
transformar num polo mundial em
produção de alumínio e Dom Eliseu
mais uma vez perde o bonde da história

WALQUER CARNEIRO C/ INF. DE AGÊNCIAS



Por obra e graça da falta de visão das atuais autoridades administrativas de Dom Eliseu o município perdeu para Rondon do Pará a instalação da Votorantim Metais, um empreendimento que se fosse instalado aqui teria a capacidade de gerar mais de 1.500 empregos só no primeiro momento, sem falar nos benefícios que seriam originados com os desdobramentos da instalação da empresa em Dom Eliseu. 

De início está previsto investimentos na ordem de 3 bilhões de dólares que serão aplicados na exploração de uma mina de bauxita e a construção de uma refinaria de alumina, e para iniciar as atividades de exploração falta apenas que seja concedida a liberação ambiental para a empresa, e para isso o projeto já foi apresentado ao governador Simão Jatene.  


SIMPÓSIO DISCUTE A EXPLORAÇÃO DE ALUMÍNIO 

O Estado do Pará está se
transformando em uma
fronteira de produção do
setor de alumínio brasileiro

FONTE – DIÁRIO DO PARÁ ON LINE


Mais de 300 profissionais de 37 países participarão do 19º Simpósio e Exposição do comitê Internacional para o Estudo da Bauxita, Alumínio e Alumina (ICSOBA), que vai abordar a cadeia produtiva do alumínio no período de 29 de outubro a 2 de novembro, em Belém. 

O evento contará com a participação de mais de 300 profissionais de 37 países que estarão focados na cadeia produtiva do alumínio. 

Durante o simpósio, serão apresentados casos de melhorias tecnológicas e o desenvolvimento de pesquisas promissoras e sua contribuição para uma produção mais eficaz e para a redução de custos nas fábricas, diante do cenário instável na economia mundial. 

O Pará foi escolhido como sede do Simpósio Internacional por ser destaque nacional na indústria do alumínio. Além da quantidade e qualidade das reservas de bauxita, minério de onde se obtém o metal, no estado é possível encontrar as diversas etapas da verticalização da cadeia produtiva.


DILMA INDICARÁ NOVO MINISTRO DO STF

Futuro indicado assumirá relatoria do mensalão tucano 

O ministro Joaquim Barbosa, algoz do PT, 
não quer relatar o mensalão dos Tucanos, 
pois tal julgamento não interessa à Globo 
e nem à Veja, de quem ele cumpre ordens 

BLOG DA GERAL

O próximo indicado pela presidente Dilma Rousseff a ocupar a cadeira do ministro Carlos Ayres Britto no Supremo Tribunal Federal (STF) será o responsável pela relatoria do mensalão tucano em Minas Gerais, hoje nas mãos de Joaquim Barbosa, que o abandonará ao assumir a Presidência da Corte em 22 de novembro. A informação é da Agência de notícia Reuters 

Como Ayres Britto deixa a Corte em 18 de novembro, pois completa 70 anos e deve se aposentar, seu substituto irá para o gabinete de Barbosa, que já afirmou que não poderá tocar o processo do mensalão tucano junto com os encargos da Presidência. 

O mensalão tucano foi um esquema de desvio de recursos públicos e financiamento irregular da campanha eleitoral em 1998 do então governador de Minas, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que tentava a reeleição e perdeu. Teriam sido desviados 3,5 milhões de reais, de acordo com a denúncia do Ministério Público Federal.O novo ministro ainda precisa ser indicado pela presidente Dilma Rousseff 

Ao contrário da ação penal em curso no STF o mensalão tucano foi desmembrada. Dois réus com foro privilegiado ficaram no STF, o deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e o senador Clésio Andrade (PMDB-MG). 

O esquema também foi chamado de valerioduto tucano porque o empresário Marcos Valério,operou o suposto esquema do PSDB 

O caso veio à tona em 2005, com as apurações do mensalão atualmente em julgamento no STF. Em novembro de 2007, a Procuradoria fez a denúncia ao STF e só depois o desmembramento para réus sem foro privilegiado foi aceito. 

O mensalão Tucano vai além de Minas Gerais, pois o esquema engendrado por Eduardo Azeredo serviu também para financiar a campanha para a reeleição de Fernando Henrique Cardoso e José Serra, e assim foi necessário dar um desfalque de 268 milhões de reais nos cofres da Furnas Centrais Elétricas de Minas Gerais. Além de que Eduardo Azeredo também está envolvido no “mensalão” do PT.

O STF QUER CRIMINALIZAR A POLÍTICA

Dirceu condenado por garantir governabilidade ao PT 

Em todo o tempo republicano 
se fez necessário costurar alianças 
para garantir a governabilidade, 
mas ser for para o PT é crime 

WALQUER CARNEIRO

Um artigo de crítica política feito pelo jornalista e  analista Paulo Moreira Leite mostra claramente o que é que está sendo julgado e as razões das condenações sem provas de quadros políticos e técnicos do PT e partidos aliados. Os réus da Ação Penal 470, popularmente conhecida com “Mensalão” estão sendo julgados e condenados apenas porque alguns ministros do supremo imaginam que eles teriam cometido crimes. 

Diante deste disparate de indivíduos togados Paulo Moreira Leite, de forma lúcida, mostra o que realmente está por traz desta aberração jurídica que é o julgamento do Mensalão. 

O texto brilhantemente produzido por Paulo é um tanto extenso, mas eu rogo ao leitor deste blog um tanto mais de paciência para uma leitura mais atenta, e, se for o caso, fazer uma releitura junto com uma pesquisa histórica das citações.

A DITADURA CRIMINALIZAVA A POLÍTICA 

Não dá para aceitar longas condenações 
sem que as acusações não 
estejam provadas nem demonstradas 
de forma clara e consistente 

POR PAULO MOREIRA LEITE

Eu estava nos EUA, em 2000, quando George W. Bush tornou-se presidente por decisão da Suprema Corte. Havia ocorrido uma fraude na Flórida, que necessitava recontar seus votos. A Suprema Corte, de folgada maioria republicana, decidiu interromper o processo e deu posse a Bush. Nós sabemos as consequências. 

Em 2009, quando Manoel Zelaya foi deposto em Honduras, a Corte Suprema local deu respaldo ao golpe. 

O mesmo ocorreu no Paraguai, quando Fernando Lugo foi afastado do cargo sem direito de defesa, por uma acusação que, está demonstrado agora, não tinha fundamento em provas – mas em denúncias que, conforme a oposição não teve medo de anunciar, envolviam fatos que “todo mundo sabe.” 

Para quem só enxerga uma face da Operação Mãos Limpas, não custa recordar que a Justiça italiana colocou muitos corruptos fora de combate na Itália e transformou o bunga-bunga Silvio Berlusconi no grande protagonista da política atual italiana. Os partidos foram destruídos e, em seu lugar, ficou uma rede de TV. Quem é o dono? O bunga-bunga. É tão bunga que, quando os mercados quiseram afastá-lo do cargo, foi preciso convencer Berlusconi a renunciar. Não havia quem desse a bungada de misericórdia. 

Lembra da guilhotina da revolução francesa? Após dois anos de terror, de condenados em processos sumários, o saldo foi o esvaziamento da democracia e a lenta recuperação da aristocracia. Depois de guerras e ditaduras, proclamou-se o Império. 

É claro que esses fatos servem de advertência e angustia diante do julgamento do mensalão. 

O Supremo está diante de crimes graves, que devem ser investigados e punidos. O inquérito da Polícia Federal aponta para vários crimes bem demonstrados. 

Mas não dá para aceitar longas condenações sem que as acusações não estejam provadas nem demonstradas de forma clara e consistente. O mesmo inquérito não oferece base para denúncias contra vários condenados. O confronto de depoimentos e as mudanças de versões da principal testemunha, Roberto Jefferson, mostra a fragilidade da acusação. 

Vamos reconhecer o seguinte. Não tenho condições de afirmar, entre 38 réus, quantos foram condenados com provas e quantos não foram. Não conheço cada caso em cada detalhe. As confusões das votações e debates sobre as penas mostram que os próprios 

ministros têm dificuldade para armazenar tantas informações, o que não diminui a responsabilidade de cada um deles pelo destino de todos. 

Embora tivesse até uma conta em paraíso secreto, o publicitário Duda Mendonça saiu são e salvo do processo. Me explicam que seu advogado fez uma defesa técnica e nada se provou que pudesse demonstrar seu envolvimento no caso. 

Me parece impecável. 

E justo, porque embora se possa falar em domínio do fato, é preciso mostrar quem tinha o domínio em cada fato. 

José Dirceu e José Genoíno estão sendo condenados porque “não se acredita” que não tivessem participado de nada…Não é possível, dizem. 

Dirceu era o chefe…Genoíno assinou um cheque. 

O problema é que a denuncia é de 2005 e até hoje não surgiu uma prova consistente para condená-los. 

Eu posso até “imaginar” uma coisa. Mas o fato de poder imaginar, admitir que faz muita lógica, não quer dizer que tenha acontecido. 

O risco é alvejar pessoas honradas em nome da indignação popular, estimulada por uma visão unilateral da acusação e da defesa. Nem todos os meios de comunicação cobrem o caso da mesma maneira. Mas é fácil perceber o tom da maioria, certo? 



Assim se cria um ambiente de linchamento, que pode ocorrer até em situações que ninguém acompanha. A justiça brasileira está cheia de cidadãos – anônimos e pobres, de preferencia – que são julgados e condenados a penas longas e duríssimas até que, anos e até décadas depois, descobre-se que foram vítimas de um erro e de uma injustiça. 

De vez em quando, um deles consegue uma reparação pelo erro. As vezes, a vítima já morreu e seus parentes recebem alguns trocados. Às vezes, fica tudo por isso mesmo. 

O cidadão tem medo de ser vítima de uma nova injustiça e não faz nada. 

Nesta semana, o ministro Celso Mello comparou o mensalão ao PCC e o Comando Vermelho. 

Num raciocínio semelhante, Gilmar Mendes sugeriu que, embora não tenha cometido atos de violência, a “quadrilha”, essencialmente, agia como uma organização de criminosos comuns. 

Os dois ministros têm uma erudição jurídica reconhecida. Expressaram suas convicções com competência e lógica. Não é só por educação que admito minha ignorância para falar de seus votos. 

Mas essas comparações não fazem justiça a cultura que possuem. 

Nos piores momentos do regime militar, os brasileiros que enfrentavam a ditadura de armas na mão eram descritos como “assaltantes de banco”, “ladrões”, “assassinos” ou “terroristas.” Até menores de idade foram presos – sem julgamento – com essa acusação. 

As organizações armadas cometeram assaltos e sequestros. Também cometeram ações que resultaram em mortes, algumas na forma de justiçamento. 

Seria correto comparar Carlos Marighella ao Bandido da Luz Vermelha? Ou Lamarca ao Cara de Cavalo? Ou então, como fez um promover louco para puxar o saco de militares, dizer que Dilma Rousseff, da Var Palmares, era a papisa da subversão? 

Deu-se o golpe de 64 com a alegação de que se deveria eliminar a subversão e a corrupção. Uma coisa leva a outra, dizia-se. E era por isso que era preciso ligar uma coisa a outra. O PCB estimulava a corrupção como forma de desagregar o país, escreveu um dos editores da Tribuna da Imprensa, um dos principais envolvidos no golpe, logo depois da vitória dos militares. Vamos ler: 

–Na maioria das vezes (os comunistas) são traidores. Outras, são mercenários; outras ainda, carreiristas; outras mais negocistas satisfeitos, que recebem todo o apoio do partido, pois uma das coisas que mais preocupa os agitadores é a corrupção, e assim eles a estimulam de todas as formas, pois sabem que não há melhor forma de estimular a desagregação de um país. (Prefácio do livro Brasil – 1 de abril, de Araken Alcantara). 

A comparação entre o esquema político de Marcos Valério e Delúbio Soares – com todos os crimes apontados – com quadrilhas criminosas é tão absurda que eu pergunto se essa visão estará de pé, no Supremo, quando (e se) o mensalão PSDB-MG for a julgamento. Duvido por boas e más razões que você sabe muito bem quais são. 

É fantasia falar em quadrilha que opera nos subterrâneos do poder. 

Por mais que muitas pessoas não enxerguem – e outras não queiram enxergar – diferenças entre os partidos políticos e organizações criminosas, eles tem projetos diferentes, visões diferentes e assim por diante. 

Por mais que se queira criminalizar a atividade política – é isso o que acontece hoje – é pura miopia confundir políticos e bandidos comuns. Não é uma questão de classe social, nem de status ou coisa semelhante. 

É uma questão de atividade profissional, digamos assim. 

Eu acho diferente controlar o território numa favela para vender cocaína e colher contribuições financeiras para disputar uma eleição. Mesmo que se deva considerar um desvio de verbas públicas como um crime gravíssimo, eu acho que é diferente quando se comete um assalto a mão armada, um assassinato, o justiçamento, como método de trabalho. 

E eu acho que um crime com homicídio é diferente daquele que não usa violência. 

Mesmo frequentando uma zona de cinzenta da política brasileira que é o mundo das finanças partidárias – quem cunhou a expressão foi o filósofo tucano José Arthur Gianotti – José Genoíno tem o direito de assegurar que só fez o que era “legítimo e necessário.” 

Da mesma forma, José Dirceu tem toda razão em sustentar: “nunca fiz parte de uma quadrilha.” Quem discorda, prove. 

Não vale ganhar no grito, na dedução, no discurso. A gente sabe como se tentava demonstrar – sem provas — que Marighella, Lamarca, Cara de Cavalo e o Bandido da Luz Vermelha eram as mesmas pessoas. 

O mundo real das finanças de campanha, organizadas e estruturadas para permitir o acesso do poder privado ao Estado, impõe uma realidade material aos partidos que, em todo lugar, precisam de recursos para buscar votos, montar estruturas, contratar funcionários e assim por diante. 

Não custa lembrar: o PCC persegue e mata policiais, planeja o assassinato de juízes. Controla o sistema carcerário em São Paulo e impõe a paz de sua conveniência em várias regiões miseráveis do Estado. 

O Comando Vermelho tem ligações conhecidas com o narcotráfico colombiano e controla parte do território do Rio de Janeiro. Está integrado à rede de tráfico de armas. 

De uma forma ou de outra, estamos falando de bandidos comuns e essa distinção é necessária. São pessoas que cometem crimes com a finalidade de praticar mais crimes. 

A ministra Rosa Weber estabeleceu muitas distinções em seu voto. 

Observadores que tentam nivelar uma coisa e outra praticam é uma demagogia baixa, de quem investe na ignorância e desinformação do eleitor. Achar que o julgamento mostra que os poderosos vão para a cadeia é vender uma visão ridícula. 

Primeiro, porque se houvesse mesmo essa disposição, a turma do mensalão PSDB-MG estaria sentada no mesmo banco dos réus petistas, já que respondem pelos mesmos crimes. 

Segundo, porque é preciso ser tolo, maldoso, para sugerir que José Genoíno pode ser chamado de rico e poderoso. 

Terceiro: se você acha que, ah… mas há algo de errado com José Dirceu, precisa não só admitir que Genoíno não pode pagar por aquilo que se imputa a Dirceu – mas também deve lembrar que o ex-ministro da Casa Civil teve o sigilo bancário e fiscal quebrado e nada se encontrou de comprometedor. 

Alvo de um linchamento de caráter político no passado, o ex-ministro Alceni Guerra já comparou seu drama pessoal ao de Dirceu e disse que eram casos semelhantes. 

As duas únicas historinhas que pareciam comprometedoras contra o ex-ministro da Casa Civil não resistiram ao confronto de provas e versões. 

Quarto: embora se diga que o mensalão está provado, até agora não surgiu um caso, sequer um, de político que tenha vendido seus votos. Nenhum. (E não vou falar da emenda da reeleição, compra assumida, confessada e gravada. Nem de denuncias de troca de favores e cargos na administração pública pelo mesmo motivo…) 

A base desse argumento é a visão criminalizada de que toda aliança é um ato de suborno e todo acordo político é uma negociata. Quem fala que partidos que mudam de posição depois da eleição está cometendo um crime precisa me explicar como ficam os Verdes alemães, que ora são social-democratas, ora estão com a conservadora Angela Merkel. 

Também poderia fazer isso com o PPS que mudou de lado depois de 2002, com políticos que trocam de partidos, com quem funda partidos novos. Tudo é pilantragem? 

A melhor descrição do funcionamento das alianças políticas –e seus reflexos financeiros – foi feita por Eliane Cantanhede na biografia do vice presidente José Alencar. É tão desfavorável à acusação que vários parágrafos da obra foram incorporados ao processo pela defesa de Delúbio Soares – como argumento de sua inocência! 

Embora a denuncia tenha tantas suposições falsas e conclusões imaginativas que se pode apontar para muita acusação sem base, estou convencido de que, como sempre acontece em sistema de arrecadação financeira, ocorreram desvios — mas nem tudo é criminoso. Há fatos verdadeiros e é importante que sejam punidos. Mas é preciso, como se diz, separar uma coisa da outra. 

É lamentável que erros do passado não tenham sido investigados e punidos. Mas concordo que erros do passado não justificam erros do presente. Mas pelo menos deveriam servir de lição para quem diz que “agora”a justiça ficou s igual para todos. 

Querem punir os ricos e poderosos com o mensalão? 

Marcos Valério não terminou o curso de engenharia. 

Os banqueiros que podem parar na prisão não tem o lastro financeiro nem político de empresários que até agora ficaram de fora. 

Convém pelo menos calibrar a demagogia. 

Com todas as distorções, arrecadações financeiras fazem parte da política, essa atividade criada pelo homem para resolver diferenças e defender interesses com métodos mais ou menos civilizados. Ela que torna possível, nos regimes democráticos, que a maioria possa defender seus direitos. E também permite que a minoria possa expressar-se. 

O objetivo era levantar recursos financeiros para as campanhas eleitorais de um governo que – eu acho que nem a oposição mais cega discute isso – que reorientou o Estado no sentido de favorecer a população mais humilde. 

Um fato fica para você resolver. Tudo pode ser uma coincidência histórica. Mais uma vez. 

Ou pode ser que muitas pessoas estejam felizes com o STF porque essa “turma do PT está “tomando uma lição”. 

Nós sabemos os vários significados de “turma do PT” - os bairros onde seus eleitores moram, o salário que recebem, escolas e hospitais que frequentam, e assim por diante. 

O governo Lula tomou medidas notáveis e muito eficazes para defender a Lei, a Ordem e a Justiça. 

A saber: 

a) financiou as UPPs que emanciparam os moradores das favelas do Rio de Janeiro do controle do tráfico e só não fez o mesmo, em São Paulo, porque as autoridades se consideram mais capazes para dar conta do PCC; 

b) protegeu a autonomia do Ministério Público, nomeando para seu comando os procuradores mais votados, embora o governo avaliasse que eles tivessem uma postura oposicionista, motivo que já levou governadores da oposição a descartar reitores e procuradores gerais que eram preferidos de suas corporações; 

c) respeitou o Supremo a ponto de nomear juízes com independência, que hoje asseguram uma maioria de votos contra o ponto de vista do PT e seus aliados; 

Estamos falando de fatos de domínio público. Não são segredos imaginados, sugeridos, deduzidos. E é um fato de domínio público que a política, sob qualquer partido, para qualquer candidato, irá entrar na zona cinzenta de Gianotti. 

É curioso notar que nenhuma mudança neste sistema pode ser realizada, até agora, porque aqueles políticos que se dedicam a denunciar Lula e o PT não querem abrir mão de seus canais com o poder econômico privado e impedem que o país adote um sistema de financiamento público de campanhas. 

Com essa mudança, seria possível corrigir as principais distorções. As verbas seriam controladas pelo Estado, com uma contabilidade oficial, e cada partido receberia recursos em função de seus votos. A oposição não aceita. Sabe por que? 

Porque tem recebido tão poucos votos que ficaria em desvantagem. Embora tenha-se feito uma oferta para garantir um piso financeiro, ela não mudou a postura. 

Prefere o dinheiro privado, particular. Mas anda tão ruim de voto que, para evitar o desperdício, tem sido até abandonada por seus financiadores tradicionais. 

É mesmo de dar pena, não? 

Prefiro uma democracia que funcione com defeitos – que podem ser corrigidos – do que qualquer solução sem o respeito pelos direitos integrais dos acusados, mesmo que produzida em nome de princípios que muitos aplaudem sem medir suas consequências para o país.

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