sábado, 3 de novembro de 2012

MAIS UMA VEZ A ELITE TENTA O GOLPE

O sistema não aceita trabalhadores no poder

A burguesia está desesperada
porque não há a mínima possibilidade
do retorno dela ao poder e
por isso querem tomar à força

WALQUER CARNEIRO




O Brasil é um dos poucos países do planeta onde a luta pelo poder político é visivelmente ideológico. Em muitos países o embate que objetiva conquista do poder também engloba questões religiosas, culturais e geográficas, o que muitas vezes gera o conflito bélico, o que não acontece no Brasil. 

Desde a formação da primeira civilização organizada no planeta a força de trabalho vem sendo explorada por grupos que se acham no direito de submeter pessoas às suas vontades. Não se sabe ao certo porque uma maioria considerável de indivíduos vem se deixando dominar por minorias, mas em certo momento da história humana neste planeta esse domínio começou a ser questionado, tanto que em 1844 Carl Marx começa a teorizar sobre a questão do capitalismo que leva a exploração da força física dos trabalhadores para o acumulo de riqueza nas mãos de poucos. 

Apesar de ser uma nação ainda em fase de organização, em relação aos países europeus, asiáticos e norte africanos, o Brasil já tem plenamente resolvidos as suas pendengas geográficas, religiosas e culturais, o que concede uma relativa paz à nação, apesar de miséria que ainda grassa pelo país à fora. Mas na disputa política o que prevalece na contenda em busca da conquista por espaço no comando do país é o debate ideológico a nível nacional que é polarizada entre os que defendem os interesses dos ricos e os que defendem os direitos dos trabalhadores, mas que se dilui-se quando a disputa se localiza em âmbito regional, a exemplo das recentes eleições municipais, onde a disputa é mais personalizada. Esse perfil nitidamente ideológico na contenda pelo poder está fazendo do Brasil o berço de nova forma, em gestação, de sistema social e de governo que dá preferência às classes menos favorecidas, todavia esse novo sistema não agrada às elites do Brasil.


Hoje vemos que a disputa política está acontecendo num confronto entre pobres e ricos, e chegamos e esse ponto de forma natural, mas não tranquila, apesar de uma ditadura de 27 anos a nação conseguiu fazer evoluir a cultura nacional, fato que permitiu a rápida recondução a redemocratização. Na verdade a grande resistência à ditadura militar se deu na área da cultura, o que de certa forma abriu as portas para a luta de classe no Brasil após o fim da ditadura militar. 

Nos últimos 20 anos os trabalhadores brasileiros, representados pelos partidos que compõem as Forças Progressistas, Democráticas e Socialistas, tendo, hoje, a sua representação mais visível no Partido dos Trabalhadores, vêm apresentando um crescente nível de crescimento na representação em todas as esferas de poder nacional, e esse fato incomoda a classe rica, uma elite que representa apenas 20% da população, cuja maior parte usufruiu das riquezas da nação desde o tempo da colonização, enquanto o restante da população usufrui apenas da miséria, pois 40% dos brasileiros ainda hoje vivem na pobreza. 

A chegada de Lula à presidência da república foi um trabalho de construção e conquista do sistema social brasileiro, sendo a primeira vitória da classe trabalhadora alcançada pelos partidos das Forças Progressistas, Democráticas e Socialistas numa luta que durou mais de oitenta anos. O mais surpreendente é que essa vitória foi conquistada pelos trabalhadores apesar das forças progressistas não contar com recursos financeiros suficiente para fazer frente ao poder econômico que a elite brasileira detém. 

Os barões que governaram o Brasil por mais de 500 anos não aguentaram ficar 10 anos fora do poder, e, assombrosamente, não estão conseguindo mais retomar os espaços que eles vêm perdendo eleição após eleição com o jogo jogado conforme as regras criadas por aqueles que desde sempre se sentiram donos do Brasil, e assim a elite brasileira se reuniu para tentar desestabilizar o governo do PT e seus aliados, na verdade a elite todas as vezes que perdeu o poder só conseguiu retornar por meio de um golpe, a exemplo de 64 quando os barões conseguiram convencer os militares que o Brasil estava caminhando para uma ditadura comunista. Só que agora os militares dão claros sinais que eles não mais irão interferir no andamento da disputa política no Brasil e por isso o golpe está sendo tentado através do judiciário. 

Para um indivíduo mais atento é fácil perceber essa tentativa de golpe através do judiciário, pois exemplos de testes neste sentido já aconteceu em Honduras em 2010 e mais recentemente no Paraguai, onde presidentes da repúblicas foram cassados sem nenhum motivo e arrancados do poder sem ter o direito mínimo a ampla defesa. E é isso que está acontecendo, hoje, no Brasil, a elite está usando o seu único reduto de poder, o judiciário, para tentar arrancar as Forças Progressistas, Democráticas e Socialistas do poder, por que através do voto livre e democrático essa elite não consiga mais retomar os espaços que vem perdendo eleição após eleição.


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