sábado, 8 de março de 2014

# CORRUPÇÃO DETONA A HUMANIDADE #

Corrompendo a ética desmoronando a moral

Na questão da corrupção
todas as pessoas
têm o rabo amarrados
umas com as outras


WALQUER CARNEIRO

Um estudo semântico do termo corrupção nos leva a descobrir que a designação da palavra leva  ao  entendimento de uma ação que contribui para a  destruição gradual de algo concreto ou abstrato, e por isso,  com certeza,  digo que conceitos seculares, apenas,  não dão conta de explicar a gênese das ações adulteradas que produzem  o desequilíbrio do relacionamento entre humanos.

Muito  se fala em combater a corrupção, todavia quase nada se debate sobre as raízes que provocam o ato de corrupção. O que são essas raízes provocadoras da corrupção?

Algumas perguntas há que se fazer, e para muitas delas não será encontrada resposta que possam satisfazer uma mente mais conservadora.
Para que servem as ações de corrupção?  A quem serve os atos de corrupção? Se a corrupção é tão nefasta porque há tanto obstáculo em combatê-la?   

Muito mais do que ações de apropriação de dinheiro público, como comumente se vê publicado na mídia tradicional,  a corrupção é uma das atitudes mais dissimulada dos seres humanos e se espalha por todos os setores da sociedade, pois todos os seres humanos levam na essência o gene da corrupção,  e a praticam sejam eles de qualquer idade, classe social, categoria religiosa ou grau de evolução do sujeito,  individual ou coletivo,  público ou privado.

Entretanto todos os seres humanos, com raras exceções,  abominam a corrupção querendo exterminá-la,  e essa contradição dual dificulta  amenizar as ações corruptas entre os grupos humanos. Pois para todas as pessoas o  corrupto é sempre o outro, principalmente se for uma pessoas que exerça um cargo público. Quando se fala em combater a corrupção se pensa primeiro em mandar prender, julgar e condenar e executar a pena em relação a políticos, dando a impressão de que a corrupção é praticada apenas com a participação e permissão dos políticos.

Os atos de corrupção são praticados em uma corrente onde existe uma infinidade de elos interligando interesses quase sempre envolvendo poder econômico, político, religioso e privado no alto, médio e baixo escalão. Esses são os elos principais da cadeia de corrupção na face deste planeta. Em suma, falando-se em corrupção todos nós temos o rabo preso uns com os outros, por isso a gigantesca dificuldade de acabar com ela.

Desde os primórdios das civilizações a corrupção serve para angariar benefícios a custa de prejuízo de outros que se submetem por força, quase sempre,  de intimidação. A corrupção é praticada a partir de um ato de uma entidade civil ou pública, física ou jurídica emanada do topo da pirâmide social   que força um cidadão ou uma comunidade a cumprir com uma obrigação que vai além de sua possibilidade, e que por isso há que se corromper alguém acima para aliviar a carga. 

Passiva ou ativa a ação de corrupção, em princípio, nunca serve a interesses menores, e sim a efetivar os regalos da aristocracia, dos que vivem no topo da pirâmide social, engana-se quem pensa que os corruptos são apenas  aqueles  que são os  mais visíveis no ato. Aqueles a quem é destinado os resultados da corrupção ficam sempre à sombra, pois os membros da aristocracia são os verdadeiros beneficiados pelo estado de corrupção de uma sociedade. A corrupção é praticada para que os do topo da pirâmide social possam usufruir dos direitos que por natureza serviriam também  aos que estão na parte inferior da pirâmide social. Assim foi se criando uma cadeia de cima para baixo se espalhando por todas as classes sociais contaminando a mente e o espírito de todos que repudiam tal prática,  mas resistem a fazer algo efetivo e vigoroso para combater a prática que porá em risco suas próprias peles. 

É através da corrupção, em todos os níveis sociais,  que a aristocracia se perpetua como poder invisível, e é justamente por isso que se consegue fazer pouco ou quase nada com a finalidade de combater efetivamente a corrupção.

Um dos maiores exemplos do poder aristocrático na manutenção dos mecanismos de corrupção no Brasil foi a compactuação da justiça brasileira com a anulação do processo que denunciava o banqueiro baiano  Daniel Dantas como o coordenador do maior grupo de empresários corruptores da nação.
O caso conhecido com Operação Satiagraha, conduzida pelo Delegado Protógene Queiroz, da Polícia Federal,  conseguiu provar a atuação de Dantas em ações corruptoras,  e assim ele foi preso, e depois de condenado pelo Juiz Fausto De Sanctis da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Sendo que Dantas foi solto logo depois pela força de um hábeas corpus concedido pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, um dos envolvidos na teia de corrupção de Dantas que é um  exemplar da aristocracia brasileira remanescente da linhagem do Barão de Jeremoabo, senhor de engenho da Bahia,   que contribuiu para o extermínio de  Antônio Conselheiro, o guia de Canudos, um celebre representante do proletário nordestino que desafiava a aristocracia daquela região.  

Para saber mais sobre a operação banqueiro e como a justiça protege corruptores privados Clique AQUI e AQUI

Um comentário:

  1. Na prática a corrupção funciona mais ou menos assim: eu sou um candidato e preciso de apoio para me eleger. Você é um empresário ou um político e me oferece apoio (que pode ser em dinheiro, influência sobre forças políticas importantes, etc.), mas faz várias exigências em troca, como, por exemplo, a reserva de “x” cargos em meu gabinete para pessoas de sua confiança. Eu também posso ser clientelista lutando pela aprovação de leis que ajudem seu negócio a prosperar, em detrimento de leis que possam realmente ajudar a população. Não tem nada demais, não acha? Ou tem? Estas são as duas características mais fortes do clientelismo: o nepotismo legitimado e o oligarquismo, alerta o professor. Nesse joguinho de favores, aqueles que foram eleitos para serem nossos representantes acabam entregando de bandeja o poder a pessoas e grupos econômicos que não estão nem aí para a população. Outro exemplo de clientelismo é a edição de licitações viciadas, ou seja, que apresentam critérios que só uma empresa pode cumprir, o que já definiria o resultado antes mesmo do seu lançamento. E não apenas a classe política se compromete nesse caso. Aos poucos, as peças da máquina pública vão enferrujando, contaminando funcionários públicos de diversos setores e escalões, prestadores de serviço, enfim, comprometendo o funcionamento do Estado de forma geral.

    Alguns dos outros que ficam de fora tem apenas duas saídas, vão para a oposição, que reúne, na grande maioria, os frustrados pelo esquema que não deu certo para eles, ou organiza aqueles que estão de forma da “mamata”, mas doidos para entrarem nela. Ou tornam-se cidadão conscientes e realmente vão em busca de melhorias sociais, trabalham, criam projetos e promovem o que eles acham o certo na esperança de conscientizar a parcela da população para fazer o mesmo e destravar as máquinas públicas.

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