sábado, 21 de abril de 2012

TOLERAR É ENTENDER O DIFERENTE

Temos que rever o conceito de religião

Vivemos tempos difíceis onde a divindade
não tem muita importância
provocando o desligamento
da causa primeira de todas as coisas



WALQUER CARNEIRO


Nós cristãos devemos ser tolerantes, temos o dever e a obrigação de conviver tranquilamente com o contraditório, pois um dos princípios cristãos é disseminar a paz e não a contenda. Nesta época contemporânea, em que o conhecimento e a ciência se multiplicam, vemos grande parte da humanidade, tanto cristãos ou não, a apagar da memória o sentimento gregário gerando o individualismo exacerbado levando humanos e se sentirem autossuficiente, e esse sentimento leva a discórdia e ao conflito. O comportamento gregário é primordial para garantir a estabilidade social da raça humana, pois pela própria natureza o seres humanos só conseguem viver bem se estiveram juntos, e aí é que entra a importância da tolerância. 

Hoje é notado um aumento significativo de pessoas que declaram serem ateus, enquanto do outro lado também aumenta o número de pessoas que professam o sentimento cristão. Tanto que nos últimos cinquenta anos vêm se multiplicando a quantidade de denominações ditas cristãs em todo o mundo, e cada uma com um ponto de vista doutrinário diferente umas das outras. Ao mesmo tempo em que aumenta a quantidade de adeptos da fé cristã aumenta também a intolerância entre as diversas denominações, e destas para aquelas pessoas ou religiões que pensam diferente, ou não professam fé nenhuma, e essa realidade está levando a raça humana a se desagregarem. 

Quando digo tolerante, não quero dizer se submeter totalmente a uma condição ou comportamento a qual você não quer, mas sim compreender um comportamento diferente daquele que você acredita, pois só assim é possível divergir sem criar conflitos levando o outro a refletir naquilo em que você acredita. E é bem aí que os líderes religiosos atuais cometem uma grandiosa falha, que é repudiar completamente o contraditório e querer obrigar ao outro a ser como eles para ser tido como igual, a isso damos o nome de fanatismo, um comportamento altamente prejudicial ao relacionamento humano. 

Esse fato é preocupante quando se vê também que ao mesmo tempo em que se multiplicam as denominações cristãs aumenta também a quantidade daqueles que se dizem líderes e no entanto se aproveitam da fraqueza psicológica, social e espiritual de muitos para se locupletarem às custas dos fracos, isso leva a muitos e se posicionarem frontalmente contra a doutrina de Cristo e até mesmo a negar a existência de Deus, ainda mais que na história humana, na terra, muitas ações de violência e conflito foram executadas em nome de Deus e em nome de Cristo. 

Já está provado que os seres humanos dependem da crença em uma divindade. Muitos sábios e cientistas atuais atestam que para a existência do todo há que ter uma força primordial, poderosa, eficiente, dinâmica e racional, e que sem essa força é impossível explicar todas as teorias cosmológicas, matemáticas e existenciais. 

Eu concordo que a essência desta força, que os que creem chamam de Deus, seja inexplicável, todavia negar essa força, ou desvirtuar seus propósitos, pode ser extremamente prejudicial para os seres humanos. Pois essa força inexplicável é que mantém o todo existente em harmonia e em união. Como a raça humana faz parte do todo, sendo racional, está intimamente ligada a essa força primal, e quando um ser humano, ou grupo de humanos, resolve negar essa força ele conscientemente toma a atitude de se separar dela, e aí todas as suas ações são de inteira responsabilidade daquele que resolveu se separar da causa primeira de todas as coisas, tomando decisões por sua própria conta. Isso vale tanto para os cristãos, quanto para os judeus, para os islâmicos, muçulmanos e os outros que fazem coisas que estão em desacordo com os princípios das leis imutáveis da causa primeira de todas as coisas. 

Jesus Cristo, a última entidade representativa da causa primeira de todas as coisas a estar aqui na terra deixou uma grande e poderosa mensagem para um povo que estava sendo levado a descrença pelos sacerdotes que deveriam fortalecer esta crença, mas no entanto suas atitudes mostravam ao contrário, cuja atitude estava levando o povo a anarquia, povo este que também estava sendo influenciado por um governo político pagão, no caso os romanos cesaristas. 

No sermão da montanha Jesus pregou a tolerância e o respeito para com as pessoas que, na época escravizavam moralmente e politicamente o povo. As palavras do sermão servem como uma luva para os dias atuais. 

SERMÃO DA MONTANHA 

Bem aventurados os humildes de espírito, 
porque deles é o reino dos céus. 
Bem aventurados os que choram, 
porque serão consolados. 
Bem aventurados os mansos, 
porque herdarão a terra. 
Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça, 
porque serão fartos. 
Bem aventurados os misericordiosos, 
porque alcançarão misericórdia. 
Bem aventurados os limpos de coração, 
porque verão Deus. 
Bem aventurados os pacificadores, 
porque serão chamados filhos de Deus. 
Bem aventurados os perseguidos por causa da justiça, 
porque deles é o reino dos céus. 
Bem aventurados quando por minha 
causa vos injuriarem, e vos perseguirem, 
e, mentindo disserem todo o mal contra vós. 
Regozijai-vos e exultai, porque é grande 
o vosso galardão nos céus; pois assim 
perseguiram os profetas que vieram antes de vós.

2 comentários:

  1. Camarada Walquer,...
    Emitir opinião sobre religião é meio complicado e perigoso, pelo menos no meu caso. Esse RE-ligar a uma entidade divina, criadora e acreditar que há vida após a morte é que diferencia re-ligião da não-re-ligião...
    Recentemente fui questionada por alunos se eu não tinha Religião.. eu neguei. E Isso assustou alguns alunos, pois eu devo ser um exemplo que a Fé Cristã é movedora do Bem. Não acredito nessa Mola como diretriz para a formação pessoal de bom- caratismo... Ainda penso que a única instituição que molda a humanidade é a Família. Portanto, deixar de ter ou não Religião pré-concebida pela Família pode ser perigoso.
    Entenda. Eu fui criada por uma família cujos valores eram demonstrados de maneira peculiares: Minha mãe católica praticante apostólica romana ferrenha (ainda o é); meu pai, um crente no palpável.. Deus não existe, vida após morte não existe... não há céu ou inferno; há bem e mal.. vc escolhe. Nós tivemos liberdade de escolher nossa própria maneira de ver e viver a Religião. Durante anos, fui católica “não-praticante”, ou seja, na verdade, eu nada era. Cresci e passei pelos sacramentos da Madre Igreja, mas... minha adolescência foi marcada pela leitura exacerbada dos clássicos que me remodelaram nesse pensar cristão, obviamente que meu maior espelho foi meu pai. Por isso talvez, minha resposta em sala de aula tenha chocado. Eu não tenho nenhuma Religião, mas tenho Todas... Sou Sikh, Islã, Cristã, Hindu... Vodu, Candomblé, Espiritismo (que são cristãs)... Jainismo... Budismo,.. enfim todas as grandes religiões trazem um pouco daquilo que acredito: a Humanidade é uma só.. Deve-se fazer e praticar o Bem, pois há a Lei do Retorno, e não importa se se está vivo ou morto... E o que diferencia minha ‘filosofia” é justamente isso: crer na Humanidade acima de tudo.. Pois é ela a Criadora... o Deus maior..que numa corrente, um elo Divino e Sagrado constitui o Universo nos unindo pela Fé em quem se quer acreditar como Messias: Jesus Cristo, Buda, Vishna, Salomão,..Oxalá.. Como diz Dráuzio Varela, é difícil entender e respeitar pensamentos que não seguem a linha da naturalidade.
    É só isso por hoje...
    Abraços..
    Rosa

    ResponderExcluir
  2. Grato por sua colaboração. O importante é que sejamos todos humanos bons e pacientes com o próximos, agindo com sabedoria chegaremos a um entendimento da razão da nossa existência,lavando em conta que em tudo há um propósito.

    PS:
    Me alegra ter sua participação como comentarista neste blogue.

    ResponderExcluir