domingo, 31 de julho de 2011

A NORUEGA E DOM ELISEU

Ligações financeiras da Noruega com Dom Eliseu. Qual é o interesse ?

O país escandinavo
investe recursos para
Dom Eliseu sair do 
embargo ambiental

WALQUER CARNEIRO

O recente atentado ocorrido na Noruega causou abalo
emocional até mesmo para quem nunca tinha escutado falar deste país, que é uma das nações mais desenvolvidas do planeta, cujo povo, aparentemente, vive feliz, com uma sociedade aparentemente estável.
Muitas pessoas conhecem a Noruega apenas por ser exportador de bacalhau, e para as pessoas que conhecem história a Noruega é nação do povo viking, bravo e guerreiro.
Dom Eliseu, um dos municípios mais pobres do Brasil, localizado no interior da Amazônia, formado por uma diversidade de povos de todas as partes da nação e algumas famílias de outros países tem algo em comum com a Noruega. Quem lê estas linhas pode até ficar espantado, mas é verdade.

O interesse da Noruega por Dom Eliseu começa por causa de questões ambientais que levou o governo daquele país a por seu olhar neste canto esquecido do planeta, pois o território municipal está localizado em um espaço geográfico de interesse internacional, onde até bem pouco tempo existia uma exuberante floresta que em menos de 40 anos foi quase que totalmente dizimada.

Em 2008 o governo brasileiro, levado por pressões de organizações internacionais, proibiu a retirada de madeira nativa em toda região denominada de “Arco de Fogo” composta por 30 municípios, incluindo Dom Eliseu, que sofreram o embargo ambiental, cujo resultado foi a proibição de comercialização de qualquer artigo produzido em solo domeliseuense.

Com a decisão a economia local ficou profundamente abalada, ameaçando um caos social cuja única saída seria a reestruturação da economia através da reorganização ambiental para a produção sustentável, sendo necessário também a reorganização fundiária, porém antes seria imprescindível saber quais eram a situação ambiental de cada uma das 1.300 propriedades rurais do território municipal, e para isso teria que ser efetuado o cadastro ambiental rural, cujos custos de efetivação seria inviável para mais de 80% dos proprietários rurais, e é aí que entra a Noruega.

Diante desta situação, levando em conta a importância estratégica do território de Dom Eliseu para o estado do Pará, e para o Brasil o governo municipal, por intermédio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, conseguiu do governo federal no Ministério do Meio Ambiente angariar apoio para aportar recursos do PNUD – Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento - , recursos esses provenientes do governo da Noruega.

Apenas três municípios da Amazônia foram selecionados para receber recursos do PNUD com o propósito de regularização ambiental. Dom Eliseu está contando com R$-600 mil doados pelo governo da Noruega para bancar o projeto do Cadastramento Ambiental Rural ( CAR ) em 100% das propriedades do município.

O CAR consiste no levantamento físico, geográfico, hidrográfico e de floresta remanescente de cada propriedade com o objetivo de saber o quanto há de degradação e o que precisa ser feito para recuperar e decidir a quantidade de solo que será utilizada para a produção agropecuária, o que, em tese, irá garantir o ordenamento ambiental, e consequentemente, após todas as propriedades serem cadastradas o município saíra do embargo ambiental.

Eu sou daqueles que acreditam que não existe almoço grátis, e, portanto o dinheiro que a Noruega disponibilizou para Dom Eliseu foi com interesse em alguma coisa, tanto que quando foi anunciado em Dom Eliseu que o PNUD havia conseguido o recurso para o CAR uma empresa (Geosol) iniciou um trabalho de prospecção do solo do município cujo interesse ainda não ficou muito bem esclarecido, pois de início falou-se em pesquisar a qualidade da bauxita na região. A bauxita é matéria prima de onde se retira a alumina para fazer alumínio. E para quem não sabe a Noruega é um minúsculo país com escassos recursos naturais, e toda a região Amazônica é rica em recursos naturais, e que ainda está para ser explorada.

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