POESIAS



INSÔNICO
Walquer Carneiro


Insônico é uma onda que pega

E te mantêm ligado, plugado

No fio das horas noturnas,

Por entre neurônios escorrega.

Insônico é um nano anti-morfeu

Que vai invadindo a mente com

Pensamento espalhado que desliza,

E vai insônicamente lento no breu.

Insônico tenta o sono atrair

Nas ondas magnéticas cordas,

Tensas no espaço tempo ligeiro

De onde não se pode sair.

Insônico é viver sem poder sonhar

Mas ficar atento em telúricos fractais

Que giram em sons, cores e letras

Teimando insônicamente normais.

























DINÂMICA DO PRAZER
Walquer Carneiro

Energia que sustenta minha vida,

Ar que invade meu interior,

Fonte das emoções que a mente abala

Na presença da qual se produz calor.

Respiração ofegante sorvendo o ar,

Dois corpos em atrito, pura sensação.

Quanto mais quente a matéria fica

Flutuar é o mais real ponto de fusão.

Leviana força, puramente instinto,

Ardente matéria nua de duas almas

Se encaixando em perfeita harmonia

No movimento vigoroso perde a calma.

Movimentos e membros entrelaçados,

Fluidos se misturam em odores,

Voragem de ruídos nasce do intimo

Declarando a expressão de amores.

Momento único de extrema alegria,

Santo e profano em perfeita união,

Quando os corpos entram e contato

O real e o concreto perdem o chão

Misturando tudo com a mais vil paixão

Uma canção o espírito saciado entoa,

No coração vai surgindo o amor,

Ao final o pensamento da loucura ecoa.
























DA NATUREZA DAS COISAS
Walquer Carneiro

A voz da razão

Fala mais alto,

Fantasia fica para trás.

Agora tudo é realidade,

Como é dura a realidade.

Olhos bem abertos,

As coisas acontecem

Em velocidade estonteante

Que os sonhos

Não podem acompanhar.

Mas acontece que

Quem muito padece

Encontra sempre um tempo,

Um lugar para sonhar.

A voz da razão fala mais alto,

E nos gestos dos homens

Diante dos fatos,

Tudo vira carnaval

Delírio da massa explorada

Que sonha uma viagem

Buscando uma saída,

Que não entende

A voz da razão que

Fala mais alto.

A natureza do sonho

É a esperança,

A natureza da razão

É a certeza.



















DESARMONIA
Walquer Carneiro

O que fará o homem com

Sua consciência suja

De falso e belo saber

Ludibriando ingênuos ?

Que palavras poderiam ser

Ouvidas sem que sejam mentiras ?

Em tudo que se vê

Há dúvidas;


Em tudo que se ouve

Há contradição;

O sangue dos inocentes

Escorre pelo chão,


Explosão de maldade

Subindo até o céu.

Pessoas escarnecem de Deus

Sem a nada demonstrar lealdade

Pisando no pescoço do amor

Sufocando solidariedade.

















































































COBRA GRANDE TODA PRETA
Walquer Carneiro

Jk riscou um traço


No meio do mapa do Brasil,

Um projeto de estrada

Do centro levando ao norte

Mostrando assim seu perfil.

Às margens desta estrada

Cidades foram surgindo

Morreram muitas ilusões

Floresceu muita tristeza

E muito mais felicidade.

Belém-Brasília

Desvirginou a floresta

Da amazônia a esperança,

Espera a beira da estrada

É o pouco que ainda resta.

Belém Brasília

Cobra grande cobra preta

Rasgou ao meio a mata

E levou meu pensamento

Direto pro sul maravilha.

Belém-Brasília

Por onde trafega a sorte

Alegria a dor e a morte,

Levando meus pensamentos

Diretamente pro norte.

Grande Belém-Brasília

De peões e garimpeiros,

Bela e moderna trilha

De magnatas e trambiqueiros.























ACABOU-SE A MATARIA
Walquer Carneiro

Antigamente nestas paragens


Crescia o pé de pequi,

Angelim, cedro e ipê

Floresciam por aqui.

Melodias que se espalhavam

Curió, bem te vi e sofrê

Em meio a muitas flores

Abelhas, besouros e crisalida

Faziam a selva viver.

Na beira do igarapé

O açaí era muito natural

A cutia, paca e tatu

Eram os donos do local;

O macaco, a anta e

O viado mateiro

Vivendo longe do mal.

Foi então que

Chegou o homem,

Ser dito racional,

Fazendo muito barulho

Com máquina descomunal,

Quebrando o

Grande sossego

Das plantas e bicharada,

Pondo pra correr

Até mesmo a onça pintada,

E num curto espaço de tempo

A mata foi derrubada.




























































AMAR É VERDADE
Walquer Carneiro

Leva


Nos olhos a imagem

Olhe

O que você puder ver

Procure

Sempre atento tudo

O que você quer amar

Lembre-se

O amor não se resume a um

Amar tem que ser mais que dois

Perceba

O amor não é solitário

O amor sempre é multidão

Alcance

O amor que olha e vê

Tudo aquilo que é belo e bom

Verdade

Amar faz o olhar se abrir

Clareando a noção da razão.




















DENTRO DA NOITE
Walquer Carneiro

A noite vai,

Os galos

Na madrugada anunciam

O amanhecer de boêmios

Que tardios

Perambulam pelas ruas.

Um bar ainda

De portas abertas

Serve uma dose

Para quem vai

Chegar e partir para algum lugar.

Numa esquina qualquer

Uma mulher

Vende seu corpo e pede

Um cigarro a quem passa

Enquanto a madrugada

Vai escorrendo

Por entre as horas que

Passam bem de vagar

Anunciando o alvorecer.





















VOZ DA MULTIDÃO
Walquer Carneiro

Vai e eleva sua voz

O pensamento não

Pode ficar preso

Dentro da cabeça

Feito ideia veloz.

Palavra da boca pra fora,

Frases no tempo

Perdidas, libertas sem direção,

Palavras demasiadas palavras

Soltas nas dança das horas.

Todos têm capacidade

De expressar o pensamento

E aquele que ficar calado

Quieto aí no seu canto

Vai tardar felicidade.

Tem gente querendo mudar

Deixar de tanto sofrer

Junte voz e pensamento

Num coro de multidão

A voz é muito importante

Opinião do seu parecer

Agora e a todo momento.























CANTAR É BOM
Walquer Carneiro

Cantar é bom

O canto preenche de sons

O vazio do silêncio.

Cantar

Para que tudo se harmonize

Pra fazer a alegria

Florescendo a amizade.

Cantar

Na cidade e no campo

Coisas da vida e do povo

De liberdade é o canto.


Canta

Ao som da plangente viola

Que as dores da gente chora

Felicidade também.

Cantar

Olhando a lua prateada

Iluminando a noite

Clareando a estrada.

Cantar

O amor entre quatro paredes

De um homem e uma mulher

Embalados numa rede.

Cantar

Sem querer acrescentar

A noção prejudicial

De se fazer odiar.

Cantar é bom

O canto faz a gente pensar

Cantar faz a gente crescer

Aprendendo a amar
.












PARA DERROTAR TODO MAL
Walquer Carneiro

Que mundo feito de trevas

Em pouco lugar há luz,

São coisas que acontecem

Fatos que não mentem

Mentira que se conduz.

Pessoas que nada sabem,

Nações que se perdem no mal

A luz que serve de guia

Quase ninguém pode ver

Porque ao mal não convém,

Mal que destrói a noção

De humildade, bondade e afeição.

Nos escombros das civilizações

Humanos gemem de dor

Humanos oprimem humanos,

Mãos de incontáveis vilões.

Ouçam a voz da criação

Andem nas veredas da verdade,

Caminhos que levam à vida

Melhor que a vida em vão

Pois é em vão a prática do mal

Que derruba as paredes da mente

Pensamento das gerações

Libertando uma fera mortal.

Ir em busca do que é certo

Através da verdadeira luz

É combater a ira e a dor

Trazendo a esperança pra perto.

O juízo de todas as nações

Terá que lutar para acabar

Com a falta de compaixão

Que teima em fazer morada

No meio da multidão.





















AMIZADE PRA QUALQUER HORA
Walquer Carneiro

Quando o pensamento


Filtra a dor

As palavras ditas

Batem firme,

A amizade existe

E está presente

Entende o sentimento

E dá valor.

A vontade de gritar

Fala forte bem alto

Contida dentro da razão pede

Que o amigo lhe conforte

Falando suave

Sem sobressalto.

No preciso momento

De indecisão fatal

É preciso estar atento


Pois ao lado pode estar

Quem pode mostrar

O caminho certo e real.

A marca dos sonhos

E do delírio está

Gravado na alma sem medo,

Na procura desvairada

Que encobre

Vida de segredo.

Para chorar

Revoltos sentimentos

Escondidos lá

No fundo do ser

É preciso ter

Alguém que entenda

E esteja

Presente a todo momento.

O amigo sempre perto

É apoio nas horas fatais

É um lago de águas serenas

Um portão que está

Sempre aberto.







































SOL, CHUVA E CANÇÃO



Walquer Carneiro

















Todo mundo quer



Um lugar sempre ao sol,



Estrela, lua e planeta.



Todo mundo sabe que



Sempre há de brilhar o sol



Energia, luz ,e clarão.



Por isso todo mundo quer



Sombra pra fugir do sol,



Escuro, vento e calor.



Todo mundo quer



A chuva que rega a planta



Todo mundo sabe



A chuva trás alegria,



Brilho, faísca, trovão.



A chuva pinta a paisagem



De cinza molhada que cai



Por isso todo mundo quer



Que a chuva pare depressa,



Vulto, difuso, meio tom,



Para o sol brilhar de novo



E todos possam cantar



Procurando lugar ao sol



Ou sombra pra descansar,



Harmonia, nota e canção.

















PARA USAR SABEDORIA

Walquer Carneiro








Sabedoria é um tesouro

Nada fácil de encontrar.

Sábio não é saber tudo

Ser sábio é saber usar

Bem o conhecimento.

A sabedoria usada

Pelo ser de bom caráter

Engrandece a sua vida

Espalha o bem ao seu redor.

Sabedoria usada por quem

Debocha rindo da vida

Faz os dias mais vazios

Tornando tudo mais escuro.

Para se ter sabedoria

Há que se procurar,

Cavar bem lá no fundo

Para pode encontrar.

Sabedoria é um tesouro

Fácil de se guardar.

Transmitir sabedoria

É algo fundamental

Para que todos vivam bem

E se acabe todo o mal.

Sabedoria é um tesouro

Difícil de se espalhar,

Por isso quase ninguém

Tem sabedoria para dar.













O AMOR E O SONHO


Walquer Carneiro









Maior alegria que existe,


Saber que há amor


Que está no trabalho


Feito com todo carinho,


No andar pela estrada


Fazer o próprio caminho.


Amar faz bem pra quem ama


Imagina para que é amado.


Se você gosta de amar


Solte a emoção no ar,


Busque o lado bom da vida


Seguindo caminhos sempre limpos.


A roda da vida gira


Pela força da energia do bem


Harmonia de todo universo


Do qual você faz parte também.


Ande sempre na luz


Pra poder enxergar


O que você vive a sonhar,


Por isso queira ou não queira


O amor está em você


Sonhar faz bem ao espírito,


é abrir um amplo caminho


Que vai onde você quer chegar,


Então mecha-se e comece a amar.



















O TEMPO URGE !

Walquer Carneiro








Veloz é o tempo

Passa o tempo todo.

O tempo não tem espaço

De parar para bater um papo.

Talvez ninguém perceba

O tempo ligeiro a escoar

Pelo Canal do hoje

Correndo para o amanhã

Que logo se tornará instante.

O tempo urge,

Preste muita atenção no tempo

Pois se você vacilar

O tempo vai te tragar,

E quando resolver olhar para trás

Não terá mais

Tempo para voltar.





















POEMÁTICA


Walquer Carneiro









Cada palavra escrita


Pensada na poesia


É uma coisa ativa


É noite e também é dia.


Palavra da boca pra fora


Provoca os sentimentos


Fazendo o sonho aflorar


Na pureza do momento


Que o poeta vivência


Ao pensar em vãs palavras


Que se fazem poesia


Para se tornar lamento


Em meio à hipocrisia.

















QUÂNTICA ÂNIMA
Walquer Carneiro







O que existia antes de tudo ?

É questão tão antiga quanto o mundo.
Quem foi que permitiu que tudo se fizesse ?
A divindade que a tudo enlouquece.
O todo existente é tão real. . .
A matéria ao derredor é tão normal. . .
Tudo tão solto, Tudo tão junto. . .
Partículas invisíveis,
Estrelas imensas montadas
Por invisíveis partículas.
Sere humanos buscam respostas
Olhando o espaço,
Detonando o átomo.
Quanta loucura
A física quântica
Que a tudo procura
Querendo certezas
Mas tão obscuras
Encobrindo a verdade
Que está lá no fundo
Guardado na anima
Energia primal
Da mente D'aquele
Que tudo permite.









PELA MADRUGADA

Walquer Carneiro






Aquela palavra

Parada no ar,

Um gesto parado

Um resto de horas

Passadas lá fora.

Mentiras talvez não esconda

A onda que ronda na rua solitária.

Quem sabe na esquina

Encontre aquela menina.

Abre-se uma porta,

Soa uma buzina,

Um cão uiva,

Um gato mia.

No silêncio tudo se ouve,

Aquela palavra parada no ar.

Um gesto parado,

A brasa de um cigarro,

O padeiro,

O cantar de um galo

Chamando o brilho do sol

Que desponta no horizonte

Preparando o arrebol.









PALAVRAS PRESAS

Walquer Carneiro






Está presa em pensamento

Palavras para evitar um conflito

E não criar um tormento

Tornando tudo mais triste

Névoa de negro terror

Que entorpece o entendimento

E a calma que ainda existe.


Energia vagando no éter

Envolve a mente de todos

Fazendo cativo o verbo

Desejo de querer ter

Palavras e pensamentos

Substantivo abstrato

De conceito concreto.


Existindo a todo momento

O supremo dominador

Não deixa a palavra ser dita

Fechando todas as bocas

Patrocinando a dor.


Palavra presa na memória

Pulsa de forma intensa

Telepatia que viaja

Pelas eras da história.


Tempo dá muitas voltas

Liberdade pede a palavra

Para se unir a outras vozes

Tramando assim a revolta

Para ter a palavra liberta

Formando frases de vida

Períodos em construção

Falando aquilo que é certo.


Presa, a palavra chora

Sonhando tempo melhor

Dentro do pensamento

Onde a tristeza mora.



















MÍSTICA TIRANIA

Walquer Carneiro






Último suspiro de liberdade

Percorre a mente Humana

Arfante, velha e senil

Cansada de gritar verdades.


O que se houve dos donos da terra

Não combina com o sentido da vida

Que pede mais harmonia

Enquanto eles fazem a guerra.


O horizonte da história diz

Que os gestos da humanidade

Esmaga toda a filosofia

Tornando o tempo infeliz.


Pelas estradas do mundo

Que vai pra todo lugar

Não passa mais a beleza

Nem sequer por um segundo.


A negra palavra fúria

Escapa da garganta cruel

E os atos de estúpidos tiranos

Leva o povo à penúria.


Homens que fazem política

Almejam dominar a massa

Último suspiro de liberdade

Falando palavras místicas.















TEMPO ANDANTE

Walquer Carneiro






As horas passam

A passos leves

Os dias trazem

Conceitos novos.


Vão-se as semanas

Vão sumindo

De Encontro ao mês

A mais na existência.


Passam-se as horas

Vão-se os dias

Com as semanas

Formando um mês,


É mais um anos

Que se transforma

Fazendo assim

A nossa história.












ODORES DE INFÂNCIA

Walquer Carneiro






Quatro paredes aromas

Uma janela bem grande

O cheiro e ruído chorando

Do óleo na frigideira

Fogão à lenha no canto

O odor do alho queimando.


Em cima pingando o toucinho

No varal sempre defumando

Na mesa o feijão já catado

Na tábua a cebola que faz chorar

Pimenta de cheiro e do reino

Uma faca afiada pra cortar.


O sal essencial tempero

Água fervendo no bule

Arroz na panela pra cozinhar

Uma pitada de amor

Enquanto meche não pode falar

No piso rústico chinela se arrasta.


Lenço segurando os cabelos

Um avental para as mãos limpar

Acha de lenha atiçando o fogo

Para as chamas alimentar

Um gato passando mansinho

Na espera do que restar.


O menino pede um bocado

Curioso e sem entender

Porque da pouca atenção

Que se nega a lhe dar

Querendo só um pouquinho

Para a fome enganar.


No rádio uma canção sertaneja

No terreiro galinhas a ciscar

Um cão que ladra sozinho

A noite que não custa a chegar

Um sol bem vermelho a cair

E um vento leve a soprar.
















A CAÇADA

Walquer Carneiro








No sertão da Amazônia

Fizemo uma caçada

Caminhamo o dia inteiro

No meio da mata fechada.

Chegamo já era noitinha

Preparamo a varrida

E toda a artilharia.




Jotabê no pé de ipê

Zé Duba no pequizeiro

Dodô no angelim vermelho

O Véim fez um mutá

Eu fiquei bem quiétinho

Escutando insetos cantá.


De noite na mata medonha

Se não for macho dá medo ficar

Berro de curupira

faz a gente mundiá

Tem que ficá bem quietinho

esperando os bichos chegá.


De repente na noite calada

Todos nós estremecemos

Com o urro da onça pintada

Nessa hora nós rezemos

Padre nosso, ave maria

Depois nó nos benzemos

Armando as espingardas.


Ficamo esperando parados

A bicha se aproxegá

Foi quando na noite surda

Nós ouvimos um estrondo

E depois o véim gritá

Alumiando com a lanterna

Lá de cima do mutá,


Gritando desesperado

Eu vi a baita chegá

Atirei no mei da testa

Só pra ver ela deitar.


Chegamo pra junto da baita

Ela tava estrebuchando

Deu mais uns três grunhidos

E foi se aquietando

Nós vendo ela se apagá.


Voltamo pra nosso canto

Cada um no seu lugar

E ficamo a esperar

Um outro bicho qualquer

Que passasse no lugar.


Quem já caçou na mata

De noite escura sem lua

Sabe o que estou dizendo

Não é uma mentira crua.









ALQUIMIA 
Walquer Carneiro




Um dia
Eu de repente
Percebi a gloriosa
Luz dourada do sol...
Refletida como
Prata na superfície
Da lua
Foi então
Que percebi a
Perfeita alquimia
Da natureza.









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