quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

QUEBRA-MOLAS E ELEIÇÃO 2012


Um quebra-molas e o interesse político eleitoral

As eleições de 2012 já está motivando
a movimentação de grupos políticos
em Dom Eliseu, e o protesto
do quebra-molas ilustrou bem isso

WALQUER CARNEIRO

O protesto por um quebra-molas acendeu a fogueira da vaidade política     


 O sistema humano  de convivência social baseado na  liberdade democrática,  que permite  ao ente tomar decisões na escolha dos seus atos, é muito interessante do ponto de vista antropológico e sociológico, pois abre espaço para que pessoas possam exercitar   diversas formas de convencer indivíduos a tomar determinada decisões ou executar ações que muitas vezes não executaria de maneira espontânea.

Foi isso que aconteceu na segunda-feira (27), no cemitério de Dom Eliseu, quando um discurso inflamado de um cidadão no livre exercício de seus direitos democráticos de expressar  pensamento acendeu um sentimento que estava latente na alma e no peito de todas das pessoas presentes no sepultamento de uma mulher que viera a óbito horas antes em decorrência de um acidente de trânsito na Rodovia Belém-Brasília.

O discurso foi  proferido por Elvimar Ferreira, o popular  Bode Louro, radialista e repórter do município, e  foi  determinante para desencadear uma manifestação popular  exigindo que fossem construídos quebra molas na estrada, no perímetro urbano do município, num trecho em que diversas pessoas já perderam a vida, o que, de acordo com Bode Louro,  poderia ter sido evitado se o local contasse com  os tais quebra molas.

Há cerca de vinte anos discute-se a necessidade  de construir três quebra molas no local. Um  próximo ao posto Texaco, o segundo em frente ao Barbosa, e outro em frente ao ginásio de esportes, porém até então nenhum gestor municipal  tivera a iniciativa de  executar uma tarefa tão simples como essa, e esse fato foi a chama que acendeu o estopim da bomba que explodiu no colo do prefeito Joaquim Nogueira,  com a manifestação que bloqueou a Rodovia BR -010 por mais de 6 horas.  

Neste caso um grupo de pessoas resolveu tomar  atitude e efetuar uma ação para convencer uma instituição  a executar uma tarefa que não seria executada de forma espontânea. No caso a construção do quebra molas.

A maioria das  pessoas, induzidas por uma minoria, diga-se de passagem, utilizaram o método de convencimento praticando a desobediência civil, que é quando determinada comunidade se mobiliza de forma intuitiva,  quebrando certas regras e convenções sociais afrontando o sistema estabelecido de forma pacífica ou não.  A desobediência civil só é possível quando há um fato indutor e alguém para motivar a ação, que por si só traz embutido uma atitude política que leva a defender interesses específicos simbolizados nas lideranças que conduzem o ato de desobediência civil.

Não é possível uma ação de desobediência civil se não houver interesse comum de determinado grupo, e esse interesse comum estava intrínseco no fato da senhora que fora sepultada naquele dia ser um membro da Igreja Assembléia de Deus Nipo Brasileira, e a maioria dos que estavam presentes no local ( cerca de 100 ) pertencia a mesma igreja, e as palavras  do radialista conectou o inconsciente coletivo.

Todo ato de desobediência civil tem conotação política, e essa revolta acontecida  no dia 27 apresentou uma relação íntima  com interesses eleitorais, pois foi notada a presença de diversos indivíduos que há tempos demonstram pretensões a concorrer a um cargo político em Dom Eliseu, além de que durante todo o tempo da manifestação foram ouvidas vozes se referindo ao atual prefeito como culpado do fato que estava no foco dos revoltosos.

Isso não quer dizer que os manifestantes não tivessem com a razão em suas reivindicações. Sim, eles estavam exercendo plenamente seus direitos, todavia eles estavam servindo de massa de manobra para grupos de políticos que olham diretamente para o 2012, ano eleitoral, e para isso é necessário atingir o grupo que atualmente  detém poder municipal, representado pela figura do prefeito que, pela lógica do embate político, tem que ser desalojado do poder para que outro grupo assuma, e pelo que se viu, se faz necessário utilizar argumentos para tentar enfraquecer a imagem de  quem está no poder com o objetivo de facilitar a eleição do ano que vem.

A mesma lógica foi utilizada por pessoas que pretendem concorrer a um cargo de  vereador e que estavam no movimento. Estes utilizavam argumentos dizendo que a situação de insegurança na estrada  era culpa dos atuais vereadores, que na sua maioria apóiam a atual administração municipal, e que não estavam cumprindo com suas responsabilidades.

De mais a mais,  o movimento como um todo é válido como demonstração do livre exercício da democracia, onde os organizadores da manifestação conseguiram conduzir as ações de forma a não permitir agressões físicas,  e no momento certo conseguiram desmobilizar a multidão. Por outro lado surpreendeu a atitude do gestor municipal, que, diferentemente dos anteriores,  tomou uma atitude atendendo  a reivindicação da massa e construiu o quebra-molas,  destacando que para isso ele também acabou por praticar  a desobediência civil ao executar uma obra em  jurisdição federal.

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